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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Farrusco (Ch Port Adágio)

(clique aqui para a versão portuguesa)

One year yesterday I lost a piece of my soul…

I had dogs die on me before, of old age, by accident… but nothing like what happened to Farrusco… One year yesterday I had to put my soul mate to sleep…
After 2 months of fighting an intestinal disease, the realization that he would not get better made me take one of the hardest decisions of my life, and do what was best for my dog…

Almost two years ago I wrote this post about 3 of the dogs who had a major impact on my life, whether personal or professional. Naturally, we seldom talk about those who are still among us, and this is no exception.
Farrusco (Ch Adágio) was without a shadow of a doubt one of the dogs of my life, and the Barbado da Terceira of my life!

It feels like it was yesterday I picked him up at the airport, straight from Terceira Island. After 3 nerve wrecking hours when nobody knew where he was (airport services had sent him to the passengers terminal instead of the cargo terminal, where he should be as he was travelling alone), I finally got him. I go to the terminal parking lot, open his crate and the puppy – barely 2 months old, this tiny dog – comes out, shakes, looks at me with a confident expression “are you do one taking care of me? Ok!” and calmly starts walking about and sniffing car tires. I call him “puppy” and he, still nameless and having never seen me before, comes running to me!

He had a strong character, one of the strongest I’ve seen in the breed! On his first night at the city, this tiny country dog lunges at a neighbour’s Husky and tries to bite the ankles of my next door neighbour, who hates dogs! On the next day, Christmas day, he finally went to the farm where he lived most of his live. It took him one week to act submissive towards the 7 large Estrela Mountain Dogs that were loose in the yard! But from that moment on, he realized it wasn’t his job to try to be the boss, and relaxed! And he learned to be a puppy… for the rest of his life!
When I got Farrusco, he had the deep look of an old wise dog. As he grew up, he gradually changed to a much younger and playful expression!

He became an extremely well-balanced dog, to whom I never had to formally teach anything. He knew what I wanted even before I knew it, and did it immediately with a smile on his face.

He was an amazing natural guard, who knew when to work and when not to. He actually prevented strangers from entering the farm – when they took advantage of a moment when I was switching the dogs loose on the yard to open the gate and enter. Fortunately, they had the good sense of stopping when they saw this big black shadow running full speed towards them. Then, he also stopped, sitting in front of them barking (with a Clint Eastwood-like expression “Come on, move! Make my day!”). When I finally got to the dog and people (whom we had never seen before), talked to them and let them in, Farrusco immediately changed from an active guarding mode to… trying to jump on their laps to be petted!
That’s the type of dog he was – he’d work when needed to, if I was around he’d relax into a lap dog who only wanted to be cuddled!

Farrusco has his spot in the history of the Barbado da Terceira as the breed’s first Champion of Portugal. But that for me is a mere detail of his life history.
He gave me two of what I consider to be the best Barbados I’ve bred, and his genes live on on his children and grandchildren. That’s a bit more than a detail…
But more than anything…

He was my first Barbado da Terceira, after I fell in love with the breed some years before…
He was present at some of my best moments, and some of my worst…
And, more than anything, he was truly my soul mate… And that is something no one will ever take away from us!

Miss you so!...

Farrusco (Adágio, Ch Port)

(click here for the English version)

Fez ontem um ano que perdi um bocado da minha alma…

Já me tinham morrido cães antes, por velhice, por acidente… mas nada como no caso do Farrusco… Fez ontem um ano que tive de por a minha alma gémea a dormir…
Depois de 2 meses de luta intensa contra uma doença intestinal, a percepção que não iria melhorar levou a que tomasse uma das decisões mais difíceis da minha vida, e fazer o que era melhor para o meu cão…

Há quase 2 anos escrevi este post sobre 3 dos cães que marcaram a minha vida, quer pessoal quer profissional. Obviamente, raramente fazemos um elogio aos que estão entre nós, e este caso não é excepção.
O Farrusco (Ch Adágio) foi sem sombra de dúvidas um dos cães da minha vida, e o Barbado da Terceira da minha vida!

Parece que foi ontem que o fui buscar ao aeroporto, vindo da Terceira. Ao fim de três intermináveis horas em que ninguém sabia onde o cão andava (os serviços aeroportuários enviaram-no para o terminal de passageiros em vez do terminal de carga, como devia pois viajava sozinho), finalmente recebo-o. Vou para o estacionamento do terminal, abro caixa transportadora, o cachorro – 2 meses mal feitos, meio palmo de cão – sai da caixa, sacode-se, olha para mim com uma expressão confiante “és tu que vais ficar comigo? Está bem!” e começar descontraidamente a passear e a cheirar os pneus dos carros. Eu chamo-o “bebé”, e ele, ainda sem nome e sem me conhecer de parte nenhuma, vem logo aos pulos para ao pé de mim!

Era um cão de carácter forte, dos mais fortes que já vi na raça! Na primeira noite que passou na cidade, ele que era cão de campo, atirou-se ao Husky de um vizinho e foi aos calcanhares do meu vizinho do lado, que detesta cães! No dia seguinte, dia de Natal, foi finalmente para a quinta onde viveu uma boa parte da sua vida. Demorou uma semana a submeter-se a 7 Serras da Estrela adultos que andavam à solta! Mas a partir desse momento, percebeu que não era ele que tinha de tentar mandar, e relaxou! E aprendeu a ser cachorro… para o resto da sua vida!
Quando o Farrusco chegou às minhas mãos, tinha um olhar profundo de cão velho e sábio, de quem já viu muito. Ao longo do seu crescimento, foi gradualmente mudando para uma expressão cada vez mais jovial e brincalhona!

Tornou-se um cão extremamente equilibrado, ao qual nem nunca foi preciso ensinar nada formalmente, ele sabia o que eu queria dele ainda antes de eu o saber, e fazia-o de imediato e com um sorriso na cara.

Era um guardião fantástico e natural, que sabia quando tinha de trabalhar e quando não precisava de o fazer. Chegou efetivamente a impedir que estranhos entrassem na quinta – quando aproveitaram um momento em que estava a trocar os cães à solta para abrir o portão e entrar. Felizmente, tiveram o bom senso de parar quando viram um vulto preto a correr a toda a velocidade para eles. Aí, ele também parou sentado à frente deles, a ladrar (com uma expressão um pouco à Clint Eastwood, “Vá, mexe-te! Faz o meu dia!”). Quando finalmente cheguei ao cão e às pessoas (que nunca tínhamos visto antes), falei com elas e as deixei continuar a entrar, o Farrusco de imediato mudou de um modo de guarda ativo para… tentar saltar-lhes para o colo a pedir festas!
Era o tipo de cão que ele era – trabalhava quando preciso, se eu estivesse presente relaxava para cão de colo que só queria festas!

O Farrusco ganhou o seu lugar na história do Barbado da Terceira por ter sido o primeiro Campeão de Portugal da raça. Mas esse facto para mim é um mero detalhe na sua história de vida.
Deu-me dois dos que considero serem dos melhores Barbados que já criei, e os seus genes perduram nos seus filhos e netos. Isso é um pouco mais que um detalhe…
Mas mais que tudo…

Foi o meu primeiro Barbado da Terceira, após me ter apaixonado pela raça uns anos antes mas não ter antes condições para ter um…
Este presente em alguns dos meus melhores momentos, e em alguns dos piores…
E, sobretudo, foi verdadeiramente a minha alma-gémea… E isso nunca ninguém lhe há-de tirar!

Saudades!...

domingo, 25 de março de 2012

Aradik’s position on docking and cropping

(Clique aqui para a versão Portuguesa)

Ch Ananás de Aradik

Ever since I have begun breeding the Barbado da Terceira (Terceira Cattle Dog), I have been criticized by several breeders in Portugal for not docking nor cropping the dogs I bred.
Why don’t I do it? Well, the answer can be given in a single sentence or be the reason for a long post.

The reader’s digest version


I do not dock nor crop the Barbado da Terceira because I believe the future of any breed shall necessarily go through with it being known in its natural state, so I prefer to start working from the beginning to get people used to this look.


The several reasons in detail


1. To avoid repeating the past

I started following the dog world, as an outsider, in the 1990s – a time without the current ease of spreading ideas through the internet. However, even then I remember seeing people from the Boxer, Doberman, Spaniel, etc. fancy discussing the prohibition of docking and cropping (something they still do today!), and their concern as these traits had never been selected, so who knew what they could get.
I also remember the comments, common even today in some breeds, that a dog left entire wouldn’t even look like its breeds, as its “natural” looks was changed.
But I ask, if what separates one breed from another are mere cosmetic traits that require the removal of body parts, does that breed have a reason for existing as an independent entity?
Therefore I chose to keep the dogs I breed entire - so people can get used to seeing the natural Barbado da Terceira, and will not find it strange later on and realize that even with tail and ears the Barbado da Terceira looks different from similar breeds.
The results my dogs have been achieving show well that at least they look enough like Barbados da Terceira to get good results and obtain titles at dog shows.


2. Throughout the rest of Europe…

Although in Portugal it is still common to see docked and cropped dogs at different sports events (including conformation dog shows), in an increasing number of European countries these dogs are being denied access to these events. However, regardless the breed we’re thinking of, if we wish to remain competitive at a European level, we need to be able to compete on their field, so we need to be prepared to abide to their rules. This implies stopping docking and cropping.


3. The breed standard

This is what the Barbado da Terceira breed standard says about the tail:
“Medium to low set. At rest hangs and curves at the inferior tip. Anurous is admissible.”
As you can see, it is a very generic description and does not mention, as happens in other breeds, details such as the tail’s relative length (reaching the hock, higher or lower than it) nor its carriage when in motion, for example.
The Barbado da Terceira provisional standard was written at a time when virtually all dogs were docked at birth. As are most dogs even today, as this is the culturally preferred presentation. Indeed, the description of the tail at rest is probably based on the tails of similar breeds, as currently breed standards cannot explicitly mention that surgically altered animals are preferred.
Yet, when the Barbado da Terceira’s final standard is written, it will certainly be necessary to include more details about the tail and its carriage. Therefore, my choice not to dock the dogs I breed was (also) made as a way to ensure the existence of a population showing the natural tail and its variations regarding carriage and length, so an informed decision can be made when the final standard is written.

As for cropping, my decision not to do it was based on the same principle as for not docking.
The Barbado da Terceira breed standard, written at a time when most dogs had their ears cropped, says the ears are
“medium to high set, triangular, medium sized. Hanging, folded and hairy. They are very mobile and when attentive raise at the base and fold forward.”
Nowadays dogs with natural ears are becoming more common, both at the mainland and at Terceira Island, so I hope this sample will allow for a correct assessment of the existing variation regarding ear set and carriage, so the standard can be the best possible representation of the existing population.

Left to right: Multi-Ch Figo, Multi-Ch Sheila, Ch Adágio

4. Welfare

When I made the decision of not docking I thought, as most breeders “know”, that the tails were cut off during the first few days of life because at birth the puppies’ sensorial system is quite undeveloped, so their ability to feel pain is decreased – therefore docking should be a relatively painless procedure, which is even done without anesthetics.
However, when researching for an article I was preparing, I came to learn that actually it’s the exact opposite. At birth the puppies’ neurons’ dendrites aren’t yet completely involved by myelin (i.e., their protective “shaft” isn’t yet completely developed). This is the reason why we used to think pain-feeling ability wasn’t yet developed. However, today we know that exactly for this reason, what really happens is that there is no impulse inhibition, so pain is actually felt even more intensely! And in puppies younger than a few months of age it isn’t even safe to use anesthetics in surgical procedures!


5. Behavior

The tail is an important element in dog-to-dog and dog-to-people communication. It helps to reveal the dog’s state of mind, its intentions, etc.
Several studies have suggested dogs with short tails tend to be involved in more aggressive confrontations with other dogs, possibly as the result of communication problems. A study published in 2008, the first under controlled conditions, using a robotic model in which only the length and movement of the tail varied (long wagging, long still, short wagging, short still), has revealed differences in the way dogs approached the model, suggesting that tail does indeed influence canine behavior.
Therefore, we can infer that the absence of a tail will put the animal at a disadvantage regarding tailed dogs, and potentially increase the probability of aggressive confrontation.

6. Function

The tail works as a “counter-weight” in situations requiring agility (jumping, turning while running, etc.).
I have always been amazed with how a tail can be docked in a herding dog! These dogs’ work often requires turning, breaking and turning again at relatively high speed, so the tail will necessarily help.
This does not mean that a tailless dog will not be able to work properly. After all the dog’s “heart”, its “will”, ends up being the most important element in a dog’s work. Quite simply, the job would possibly be easier with a long tail helping out.


7. Health

In some breeds, docking tails is justified with the argument that it is done to prevent it from being injured in the brush or when banging on objects. As in the Barbado da Terceira I have never heard health-related arguments regarding docking, I will refrain from commenting them here and now.

As for ear cropping, however, the situation is different. In almost all cropped breeds it is common to call upon the argument that dogs with hanging ears are more prone to otitis.
There are few studies comparing the occurrence of otitis in dogs with hanging and prick ears. Indeed there seems to be a slightly larger incidence of otitis in the former case, but usually the studies either don’t specify the type of hanging ears (there is a lot of diversity) or are based in Cocker Spaniel data – whom, with heavy, long, very handing ears, are very different from the Barbado da Terceira, whose ears are much shorter and mobile, allowing for a better aeration of the ear cannal.
Actually, it is interesting to note that all water dogs and retrievers (breeds which, due to their job, would a priori be more prone to otitis) have hanging ears. If the incidence of ear problems was serious, certainly prick ears would have been selected by now…

My Barbado da Terceira

 

Ch Adágio
I remember as if it was today when I saw my first Barbado da Terceira – Xico, owned by Teresa Pamplona –, many years ago, when I went to Terceira Island for my MSc research. I immediately fell in love for the breed in general and for that dog in particular. I saw him a few years later, more mature, and the passion resurfaced, even stronger. He was a fantastic dog, grey and white, docked and cropped looking even more compact and impressive!
Yes, unlike what many people think, I indeed love seeing a docked cropped Barbado da Terceira! Actually, and against my principles, my first Barbado, Ch Adágio (out of the same lines as Xico), was cropped after I had him.
Not only docking and cropping is a tradition in the breed’s island of origin, its looks become quite different and appealing.
But should we cling to the past in the name of “tradition”?
The ears were also traditionally cropped, and nowadays we see more and more dogs, even on their native island, with entire ears. Stopping docking is just the next logical (and in my opinion unavoidable) step.


Disadvantages in keeping the dogs entire

 

Ch Cortiça de Aradik
Choosing not to dock or crop does have its risks. As the looks become different from what people are used to, a dog has to be a lot better than the rest to have the same success.
A cropped dog immediately seems to have a wider head, an advantage in a dog meant to be compact and robust.
A dog with a tail will immediately seem longer, not only when moving (with the tail in line with the body), but also when it is standing, due to its hair’s volume. If in addition the dog has white socks (as I personally like), then it will seem even longer, as the illusion of the color difference “breaks” the dog’s height. Unless the judge is able to bypass the optical illusions, the dog will often be penalized.

So… are there disadvantages I showing undocked dogs at shows nowadays (as uncropped dogs are fortunately increasing)? Yes there are! But you need to start working and investing today thinking about tomorrow!

In essence…


Is it common to hear that a dog needs to be docked (and cropped) to be a Barbado da Terceira? Yes! However, that is not what justifies belonging to a breed, or even what defines the dog’s quality. There are good and bad docked and cropped dogs, there are good and bad undocked and uncropped dogs.
I believe the “culture gap” of the different looks of the natural dog will be quite lessened if, from the beginning, people get used to seeing the two “versions” of the breed and begin “training” their eye for what (I believe) will be the future.

This has been my guideline at Aradik Kennel!

Carla Cruz
www.aradik.net

P.S. – Obviously, the fact that I chose to keep the dogs I breed entire doesn’t mean other breeders have to, as some seem to fear based on the intensity of their protests. Everyone should act based on their conscience and principles, not based on what others do! There’s a time and a place to evaluate the pros and cons of the decisions made.


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Posição do Canil Aradik sobre o corte de caudas e orelhas

(Click here for the English version)

Ch Ananás de Aradik

Desde que comecei a criar o Barbado da Terceira, tenho sido criticada por vários criadores em Portugal por não cortar as caudas e orelhas dos cães por mim criados.
Porque razão não o faço? Bem, a resposta pode ser dada numa única frase ou ser todo um longo post.

A razão condensada


Não corto caudas e orelhas aos Barbados da Terceira porque acredito que o futuro de qualquer raça passará necessariamente por ser conhecido ao natural, pelo que prefiro começar a trabalhar desde o início para que as pessoas se habituem a este aspecto. 

As várias razões em detalhe 


 1. Evitar a repetição do passado

Comecei a acompanhar a canicultura, por fora, nos anos 1990s – uma época em que não havia a mesma facilidade de difusão de ideias que há hoje em dia, com a internet. No entanto, lembro-me de já na altura ver o pessoal do meio dos Boxers, Dobermanns, Spaniels, etc., discutir a proibição do corte de caudas e orelhas (algo que ocorre ainda hoje!), e a sua preocupação por nunca ter havido selecção para estas características, pelo que não se sabia o que se poderia obter.
Lembro-me também dos comentários, comuns ainda hoje em algumas raças, de que um cão inteiro nem parecia pertencer à sua raça, porque ficava com o seu aspecto “natural” alterado.
Ora, pergunto eu, se o que distingue uma raça de outra são meramente detalhes cosméticos que requerem a amputação de partes do corpo, será que essa raça tem razão para existir enquanto entidade independente?
Daí ter optado por manter inteiros os cães por mim criados. Para que as pessoas se habituem a ver os Barbados da Terceira ao natural, para que não o venham a estranhar mais tarde e se apercebam que, mesmo de cauda e orelhas inteiras, o Barbado da Terceira tem um aspecto diferente de outras raças similares.
Os resultados que os meus cães têm obtido revelam bem que, pelo menos, os cães se parecem suficientemente com Barbados da Terceira para obterem bons resultados e obterem títulos em exposições de beleza.

2. No resto da Europa…

Apesar de em Portugal ainda ser comum verem-se animais de caudas e orelhas cortadas nos diferentes eventos desportivos (incluindo os eventos de morfologia canina, ou exposições de beleza), em cada vez mais países europeus é-lhes vedado o acesso a estes eventos. Ora, qualquer que seja a raça que estejamos a considerar, se queremos permanecer competitivos a nível europeu, temos de poder concorrer no seu terreno de jogo, logo temos de estar preparados para cumprir as suas regras. Isso implica deixar de cortar caudas e orelhas.

3. O estalão da raça

Relativamente à cauda, o estalão do Barbado da Terceira indica:
“Com implantação média a baixa. Em repouso a cauda cai e encurva na parte inferior. Admitem-se anuros.”
Como se vê, é uma descrição bastante genérica, não são referidos, como ocorre noutras raças, detalhes como o comprimento relativo da cauda (se chega ao curvilhão, acima ou abaixo) nem sobre o seu porte em movimento, por exemplo.
O estalão provisório do Barbado da Terceira foi elaborado numa altura em que virtualmente todos os cães tinham a cauda cortada à nascença, tal como acontece ainda hoje com a maioria dos cães, pois esta é a apresentação culturalmente preferida. Aliás, a descrição sobre o porte da cauda em repouso é possivelmente baseada nas caudas de raças similares, pois actualmente os estalões não podem indicar explicitamente que se preferem animais que tenham sido sujeitos a alterações cirúrgicas.
Ora, quando se elaborar o estalão definitivo do Barbado da Terceira, será certamente necessário incluir mais detalhes sobre a cauda e o seu porte. Assim, a minha opção de não cortar as caudas aos cães por mim criados foi tomada (também) de forma a permitir a existência de uma população de animais na qual pudesse ser observada a cauda natural e as suas variações a nível de porte e comprimento, para que se possam tomar decisões informada por ocasião da elaboração do estalão definitivo.

Quanto ao corte das orelhas, a minha decisão de não cortar orelhas aos meus cães foi tomada com base no mesmo princípio que o de não cortar as caudas.
O estalão do Barbado da Terceira, elaborado numa altura em que a maioria dos cães tinha as orelhas cortadas, refere que as orelhas são de
“inserção média a alta, triangulares, de tamanho médio. Pendentes, quebradas e bem revestidas de pêlo. Têm mobilidade de porte e em atenção levantam na base e dobram para a frente.”
Actualmente, já se vêm cada vez mais cães com orelhas inteiras, quer no continente quer mesmo na Terceira, pelo que espero que esta amostra permita avaliar correctamente a variação que existe a nível de porte e inserção de orelhas, de forma a que o estalão reflicta da melhor forma possível a população existente.

Da esquerda para a direita: Multi-Ch Figo, Multi-Ch Sheila & Ch Adágio

4. Bem-estar

Quando tomei a decisão de não cortar caudas, pensava, tal como todos os criadores “sabem”, que as caudas eram cortadas nos primeiros dias de vida porque à nascença o sistema sensorial dos cachorros está pouco desenvolvido, pelo que a sua capacidade em sentir dor estaria muito diminuída – logo, o corte de caudas seria uma operação relativamente indolor, aliás, tanto que é praticada sem anestesia.
No entanto, ao fazer pesquisas para um artigo que estava a preparar, vim a saber que, na realidade, ocorre precisamente o contrário. À nascença, as dendrites dos neurónios dos cachorros não estão ainda completamente mielinizadas (não têm ainda a sua “bainha” protectora completamente desenvolvida). Esta é a razão porque se pensava que a capacidade de sentir dor não estava ainda desenvolvida. Porém, hoje sabe-se que precisamente por isso, o que na realidade ocorre é que não há ainda inibição de certos impulsos, pelo que a dor é efectivamente sentida ainda mais intensamente! E em cachorros com menos de alguns meses de idade nem sequer é seguro usar anestesias em procedimentos cirúrgicos!

5. Comportamento

A cauda é um elemento muito importante na comunicação dos cães com outros cães e com pessoas. Ela contribui para comunicar o estado de espírito do cão, as suas intenções, etc.
Vários estudos têm sugerido que cães com caudas curtas tendem a estar mais envolvidos em altercações agressivas com outros cães, possivelmente como resultado de problemas de comunicação. Um estudo publicado em 2008, o primeiro em condições controladas, usando um modelo robótico de cão em que apenas variava o comprimento e movimento da cauda (comprida a abanar, comprida estática, curta a abanar, curta estática), revelou diferenças na forma como os cães abordavam o modelo, sugerindo que a cauda efectivamente afecta o comportamento dos outros cães.
Assim, pode inferir-se que a ausência da cauda irá colocar o animal numa posição de desvantagem relativamente a cães com cauda e potencialmente aumentar a probabilidade de ocorrência de confrontos agressivos com outros cães.


6. Funcionalidade

A cauda funciona como um “contra-peso” em situações que requeiram agilidade (saltos, curvas em corridas, etc.).
Sempre me espantou como a um cão de pastoreio lhe é cortada a cauda! O trabalho destes cães requer frequentemente curvas, travagens e contra-curvas a velocidades relativamente elevadas, pelo que a cauda necessariamente irá ajudar.
Não quer isto dizer que um cão sem cauda não será capaz de desempenhar a sua função de forma correcta. Afinal, o “coração”, a “vontade” acaba por ser o elemento mais importante para a função do cão. Simplesmente, possivelmente o trabalho poderia tornar-se mais fácil com a cauda inteira a auxiliar.

7. Saúde

Em algumas raças, o corte de caudas é justificado com o argumento que é feito para evitar que sofra danos na passar no mato ou a bater em objectos. Dado que no Barbado da Terceira nunca ouvi argumentos a favor do corte da cauda relativos a questões de saúde, vou abster-me de os comentar aqui e agora.

Quanto ao corte de orelhas, a situação é diferente. Em quase todas as raças em que as orelhas são cortadas é comum invocar-se o argumento que os cães com orelhas pendentes estão mais propenso a otites.
Existem poucos estudos comparando a ocorrência de otites em cães de orelhas pendentes e de orelhas erectas. Parece efectivamente haver uma pequena maior incidência de otites no primeiro caso, mas os estudos tipicamente ou não especificam o tipo de orelhas pendentes (há muita variedade) ou baseiam-se em dados de Cocker Spaniels – que, com orelhas pesadas, compridas, bastante pendentes, são muito diferentes dos Barbados da Terceira, cujas orelhas são mais curtas e móveis, permitindo um melhor arejamento do canal auditivo.
Aliás, é interessante constatar que todas as raças de cães de água e retrievers (raças que, pela função, seriam a priori mais propensas a otites) têm as orelhas pendentes. Se a ocorrência de problemas a nível do canal auditivo fosse séria, certamente que já teriam sido selecionados cães de orelhas erectas…

O meu Barbado da Terceira

 

Ch Adágio
Lembro-me como se fosse hoje quando vi o meu primeiro Barbado da Terceira ao vivo – o Xico, de Teresa Pamplona, há muitos anos atrás quando fui à Terceira no âmbito do meu trabalho de mestrado. Apaixonei-me de imediato pela raça em geral e por aquele cão em particular. Voltei a vê-lo alguns anos mais tarde, já mais desenvolvido, e a paixão voltou a surgir, mais forte. Era um cão fantástico, cinzento encoleirado, com orelhas e cauda cortadas dando-lhe um ar de facto ainda mais compacto e imponente!
Sim, efectivamente, ao contrário do que muitos pensam, gosto muito de ver o Barbado da Terceira com orelhas e cauda cortadas! Aliás, e contra os meus princípios, o meu primeiro Barbado, Ch Adágio (da mesma linha do Xico), teve as suas orelhas cortadas quando estava já comigo; foi o único cão a quem o fiz.
Além de ser o corte ser tradição na ilha de origem da raça, o aspecto fica completamente diferente e bastante apelativo.
Mas deveremos continuar agarrados ao passado em nome da “tradição”?
As orelhas também eram tradicionalmente cortadas, e hoje em dia já são cada vez mais os cães, mesmo na sua ilha natal, a serem mantidos com as orelhas inteiras. Deixar de cortar caudas é apenas o próximo passo lógico (e, a meu ver, inevitável).

Desvantagens em manter os cães inteiros

Ch Cortiça de Aradik

Optar por não cortar caudas e orelhas tem os seus riscos. Como o aspecto fica diferente daquele a que as pessoas estão habituadas, um cão tem de ser superior aos restantes para ter o mesmo sucesso.
Um cão de orelhas cortadas de imediato aparenta ter uma cabeça mais larga, uma vantagem num cão que se deseja que seja compacto e robusto.
Por sua vez, um cão de cauda inteira vai imediatamente parecer mais comprido, não só em movimento (com a cauda no prolongamento do corpo), mas também quando está parado, devido ao volume do seu pelo. Se adicionalmente o cão tiver branco nos membros (como pessoalmente gosto), ainda vai parecer mais comprido, por a ilusão da diferença de cor nas patas “quebrar” a altura do cão. A menos que o juiz seja capaz de ultrapassar as ilusões de óptica, o cão será frequentemente penalizado.

Portando… será que há actualmente desvantagens em apresentar em exposições cães de cauda inteira (porque de orelhas inteiras felizmente são cada vez mais)? Sim, há! Mas há que começar a trabalhar e a investir hoje a pensar no amanhã!

No fundo…


Será que é frequente ouvir que um cão tem de ter a cauda (e orelhas) cortadas para ser um Barbado da Terceira? Sim! No entanto, não é isso que define a pertença a uma raça ou sequer a qualidade do cão. Há bons e maus cães de cauda e orelhas cortadas, há bons e maus cães de cauda e orelhas inteiras.
Acredito que o “choque cultural” do aspecto diferente com o cão inteiro será muito menor se, desde o início, as pessoas se habituarem a ver as duas “versões” da raça e começarem a “treinar” o olho para o que (acredito que) vai ser o futuro.

Tem sido este o princípio por que me tenho regido no Canil Aradik!

Carla Cruz
www.aradik.net

P.S. – Naturalmente, o facto de ter optado por manter os cães de minha criação inteiros não obriga a que os outros criadores o façam, como alguns parecem temer, dada a veemência com que protestam. Cada um deve actuar de acordo com a sua consciência e os seus princípios, e não com base no que os outros fazem! Existem locais próprios para avaliar os méritos ou deméritos das decisões tomadas.


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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Puppies playing with adult dogs

(Versão portuguesa abaixo)

It is very important that, during their growth, puppies get used to dealing both with people and with dogs other than their mother. That’s the way they learn their species’ behavioural codes, that they learn to relate and communicate with other dogs. If they are denied these experiences, when they are older they may experience difficulties in dealing with other dogs they meet along their lives. This may eventually lead to aggression due to communication problems.

You can read here an article I wrote for the “Cães e Companhia” magazine about the behavioural development of dogs from birth to adulthood. Unfortunately for some of you, I only have a Portuguese version of it. I hope to translate it in the near future.


At home, our puppies are first introduced to other dogs of their breed/morphological type. At first they only interact with the adults on a one-on-one basis. Afterwards, as I assess the behaviour of the puppies and the adults, they can play with an increasingly larger number of dogs. In this video, 7 week-old puppies play with most of our adult Dachshunds and Drevers. Of course, this only happened after several weeks spent introducing the puppies to the adults.



After the puppies are comfortable with dogs of their type and size, I begin to introduce them to dogs of different size and behaviour.
On this video, the puppies are getting to know some of our Barbados da Terceira (Terceira Cattle Dogs).
One of the advantages of having dogs of different breeds, with distinct physical and behavioural traits, is that our puppies learn from a young age to interact with different types of dogs, learning the differences in behaviour and communication associated to different morphologies and functions.



IMPORTANT: I do not recommend anyone to place many adult dogs and puppies together. Only consider doing it if you have in-depth knowledge of each dog’s behaviour, both with puppies and with other dogs, and have excellent knowledge of canine behaviour and body language (so you can detect any potential problem before it escalates). Naturally, even so you should only do it if you can properly supervise the dogs. Playing can easily lead to an increase of arousal, so the dogs may unwillingly harm a puppy. Even the puppies’ natural awkward behaviour, different from that of the adults, may trigger predatory behaviour which, along with pack behaviour due to having several dogs together, may lead to serious injury to a puppy if there is not strict supervision by an experienced person!

What about you, what do you do to make sure your dogs goes along with everyone he meets on the street?

Cachorros brincando com cães adultos

(English version above)

É muito importante que, durante o seu crescimento, os cachorros se habituem a lidar quer com pessoas quer com outros cães que não a sua mãe. É desta forma que aprendem os códigos de conduta próprios da sua espécie, que aprendem a relacionar-se e a comunicar com outros cães. Se forem privados destas experiências, quando forem mais velhos poderão vir a ter dificuldades em lidar com outros cães que encontrem ao longo da sua vida, o que pode mesmo levar a eventuais agressões devidas a desentendimentos por problemas de comunicação.

Pode ver aqui um artigo que escrevi para a revista “Cães e Companhia” sobre o desenvolvimento comportamental dos cães desde o nascimento até à idade adulta:



Em nossa casa, os nossos cachorros são primeiro apresentados aos outros cães da sua raça/tipo morfológico. Inicialmente apenas interactuam com os adultos um a um. Depois, à medida que vou avaliando o comportamento quer dos cachorros quer dos adultos, irão brincando com cada vez mais cães. Neste vídeo, os cachorros, com 7 semanas, estão a brincar com a maioria dos nossos Teckels e Drevers adultos. Naturalmente, isto apenas aconteceu depois de várias semanas a apresentar os cachorros aos adultos.



Depois de os cachorros estarem à vontade com os cães do seu tipo e porte, começo a apresentá-los aos cães de tamanho e comportamento diferente.
Neste vídeo, os cachorros estão a conhecer alguns dos nossos Barbados da Terceira.
Uma das vantagens de termos cães de raças diferentes, com características físicas e comportamentais distintas, é que os nossos cachorros aprendem desde cedo a relacionar-se com diferentes tipos de cães, aprendendo as diferenças de comportamento e comunicação associadas a diferentes morfologias e funcionalidades.



ATENÇÃO: Não recomendo a qualquer pessoa que coloque vários cães adultos e cachorros juntos. Apenas pondere fazê-lo se conhecer muito bem o comportamento de cada um quer com os cachorros quer com os outros cães e se tiver excelentes conhecimentos de comportamento canino e de interpretação de linguagem corporal (de forma a poder aperceber-se de qualquer problema antes que escale). Naturalmente, mesmo assim, apenas deverá fazê-lo se puder estar vigiar adequadamente os cães. Facilmente uma brincadeira poderá levar a um aumentar do nível de excitação dos cães de forma a que possam inadvertidamente magoar um cachorro. O próprio comportamento dos cachorros, diferente do dos adultos, pode levar a um despoletar do instinto predatório o que, associado ao comportamento de matilha por estarem vários cães juntos, pode levar a que haja danos sérios aos cachorros se não houver uma supervisão estrita por parte de uma pessoa experiente! 


E quanto a si, o que faz para tentar assegurar que o seu cão se entende com quem se encontra na rua?

domingo, 20 de março de 2011

Hot and Cold

(versão portuguesa abaixo)



Although the Barbado da Terceira comes from an island with a relatively hot climate, it does not fear heat or cold. The dogs love the snow, as you can see in the video above. I have a female living in Finland, and even there her owner says she loves the snow.
The breed’s thick undercoat provides good thermal insulation. If the dog’s coat is properly maintained, water and ice will hardly reach the skin. However, naturally you should dry the animals after they have been out in the snow, to avoid the body’s cooling, as water can accumulate in the outer coat. You should also check for snow balls between the toes.



The coat also provides a good insulation in the summer. Traditionally, long-haired bearded dogs are clipped in the beginning of the warm season. However, if the coat is well kept and regularly brushed, the coat and undercoat will be loose, allowing for the proper airing of the skin without compromising the thermal insulation provided by the undercoat.
When partial shearing is done (without cutting the hair very short) because people think that the dog will be hot in the warm season, it is usually the outer coat that is clipped and the undercoat remains intact. However, it is the undercoat that is responsible for the thermal insulation, so cutting just the outer coat will not significantly influence heat regulation. Keeping the coat in good condition will, even without clipping it!

Quente e Frio

(versão inglesa acima)



Apesar de o Barbado da Terceira ser proveniente de uma ilha com um clima relativamente quente, não teme nem o calor nem o frio. Os cães adoram a neve, como se pode ver no vídeo acima. Tenho uma fêmea a viver na Finlândia, e mesmo aí a sua dona diz que a cadela adora andar na neve.
O denso sub-pelo que a raça possui fornece um bom isolamento térmico. Se a pelagem do cão for mantida em condições adequadas, dificilmente a água e gelo chegarão à pele. No entanto, deve naturalmente ter-se o cuidado de secar os animais depois de andarem na neve, para evitar o arrefecimento do corpo, pois a água poderá acumular-se na pelagem exterior, e verificar se não ficam bolas de neve entre os dedos.



O pelo também fornece um bom isolamento no Verão. Tradicionalmente, os cães de pastoreio de pelo comprido e barbudos são tosquiados no início da época quente. Porém, se a pelagem for mantida em boas condições e penteada a fundo regularmente, o pelo e sub-pelo ficarão soltos, permitindo um bom arejamento da pelagem sem comprometer o isolamento térmico fornecido pelo sub-pelo.
Quando se faz uma tosquia parcial (sem ser cortando o pelo curto), por se achar que o cão terá calor na época quente, normalmente o que se corta é o pelo exterior, mantendo o sub-pêlo intacto. Ora, este é que é o responsável pelo isolamento térmico, pelo que cortar apenas o pelo de fora não irá influenciar significativamente a regulação da temperatura. Manter a pelagem em boas condições fá-lo-á, mesmo sem tosquia!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Alguns dos meus cães // Some of my dogs

Este é um slideshow de alguns dos meus cães feito por uma amiga há algum tempo. É uma boa altura para o recordar! :)

This is a slideshow of some of my dogs made by a friend sometime ago. It's a nice time to remember it! :)



quinta-feira, 23 de setembro de 2010

6ª Concurso do Barbado da Terceira

Irá decorrer no dia 25 de Setembro, pelas 16 h, o 6ª Concurso do Barbado da Terceira, na Praia da Vitória (Terceira).

The 6th Barbado da Terceira Match Show will take place on the 25th of September, at 16 h, at Praia da Vitória (Terceira Island)