terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Problemas por separação - actualização

(English version above)

Há bastante tempo que não dou novidades, em grande parte devido a um excesso de trabalho a nível profissional. Vamos então fazer um ponto da situação quanto os problemas de separação com que tenho andando a lidar…

A maioria dos problemas do Kikko tornou-se bastante manejável ao longo do tempo, à medida que se foi acomodando à sua nova vida. A maioria do ladrar por ansiedade acabou, tipicamente já só ladra nas situações normais – como ver gente estranha ou tractores a passar em frente a casa. Já pouco puxa na trela, mesmo sem o halti, apesar de o fazer quando está excitado. Na caixa, apesar de não estar totalmente relaxado durante o dia, fica sossegado nas situações normais, como quando é fechado à noite para dormir. O principal problema que ainda persiste – o ladrar ansioso (e barulhento!) quando me sente a chegar a casa depois de ter saído durante algumas horas.

Há cerca de 2 meses, comecei a aperceber-me (e foi-me corroborado pela vizinha) que os cães se punham a ladrar e uivar quando eu saía de casa para ir à cidade (algo que não ocorre todos os dias, vantagens de se trabalhar em casa uma boa parte do tempo). Pessoalmente, é uma situação que não considero particularmente problemática (afinal, vários cães juntos tendem a ladrar mais facilmente), mas de forma a evitar potenciais problemas com os vizinhos, seria necessário fazer algo a esse respeito. Mas, tendo vários cães, para determinar que acção deveria tomar, precisava primeiro de saber quem era o culpado pelo barulho – uivar é um acto social, em que vários cães se juntam quando um inicia o acto, logo é importante saber quem começa a fazer barulho para saber com quem e como terei de agir. Ora, o facto de eles só fazerem barulho quando eu saio e não fica ninguém em casa (se ficar alguém em casa, não fazem barulho), torna complicado avaliar a situação. A única opção – filmar os cães! Não tenho nenhuma câmara de vídeo, mas felizmente a máquina fotográfica permite gravar pequenos vídeos. Infelizmente estão limitados a 10 minutos de duração, mas pela minha impressão e comentários da vizinha, os cães começavam a fazer barulho quase logo a eu sair, e apenas durante um par de minutos, pelo que esta duração deveria ser o suficiente. Primeiro, apontei a câmara ao suspeito mais provável – o Kikko, que ainda estava em fase de adaptação, era o cão mais ansioso e o menos habituado a estar em caixa (todos os cães que tenho em casa estão habituados a ficar fechados nas suas transportadoras quando tenho que ir a algum lado durante períodos relativamente curtos). Ora, qual não foi a minha surpresa quando regresso a casa e visiono o vídeo – 10 minutos em que o cão, apesar de não estar totalmente relaxado, está calado e chega mesmo a deitar-se para dormir perto do fim da filmagem! Hmmm… ok, então temos outro culpado não antecipado (mas não de todo inesperado) … Na vez seguinte, aponto então a câmara ao suspeito nº 2 – o Pinhão. Apesar de o Pinhão estar habituado a estar na sua caixa (aliás, frequentemente prefere ir dormir e relaxar para lá que estar com os outros cães), o seu nível de ansiedade aumentou desde que o Kikko voltou para cá – provavelmente por uma conjugação da ansiedade do Kikko com o meu excesso de atenção para com ele, inadvertidamente prestando menos atenção aos outros, quebrando as suas rotinas, essenciais para ele encontrar alguma estabilidade e relaxar (O Pinhão é um cão muito ansioso, apesar de ter feito enormes progressos desde que está comigo). Portanto, filmei o Pinhão e voilá, o “culpado” estava encontrado. Efectivamente, era o Pinhão a começar com gemidos e uivo. Ao longo de filmagens subsequentes, apercebi-me que tinha tido bastante “sorte” quando filmei o Kikko da primeira vez, pois na realidade quer o Pinhão quer o Kikko são os iniciadores dos gemidos e uivos. E começando eles a uivar, os restantes seguem-se – apercebi-me que os Drevers adoram uivar, e os Teckels não ficam muito atrás, embora sejam mais fáceis de calar! ;) Curiosamente, normalmente os Barbados da Terceira não se juntavam ao coro.
Ora bem… então já sabia então quem começava a fazer barulho quando eu saia… agora, como lidar com isso? Primeiro, pensei em arranjar Kongs para todos, não apenas para o Kikko como tinha até então. Porém, isto não funcionou com o Pinhão, o problema dele não era o aborrecimento, além de ele não ser particularmente motivado por comida (nem mesmo ossos de roer).
A ideia número 2 foi por a caixa do Pinhão e do Kikko lado a lado. O Pinhão e o Kikko tornaram-se os melhores amigos, pelo que pensei que talvez o problema fosse ansiedade por não estarem juntos (apesar de à noite não o estarem e não haver problemas). Isso também não resolveu, o barulho continuou…
Soltá-los para passearem e fazerem as necessidades no quintal antes de sair também não ajudou…
Entretanto, lembrei-me de uma coisa que, não resolvendo o problema de base, poderia tornar a situação manejável… A minha Drever mais velha, a Lupi, é a cadela que mais facilmente se põe a uivar – quando ouve outros cães a gemer, quando ouve sirenes na estrada, quando ouve barulhos diferentes e prolongados... Costumo pô-la a dormir dentro de casa, mas quando saio durante o dia ela fica na garagem com outros cães. Ora, quando o Pinhão e/ou o Kikko começam a gemer quando saio, a primeira a começar a uivar é a Lupi, e os restantes cães começam a uivar depois dela. Portanto, se conseguisse evitar que ela começasse a uivar, à partida já não teria o “concerto” habitual. Portanto, quando vou sair, comecei a trazer a Lupi para casa e para a sua caixa, ao pé das dos restantes cães de casa. Bom resultado! O Pinhão e o Kikko ainda fazem barulho, mas como a Lupi está ao pé deles, já não se põe a uivar, pelo que o resto dos canitos também não. Ok, não tenho a causa última resolvida, mas tenho o problema com os vizinhos manejado enquanto procuro uma solução melhor!
Adicionalmente, comecei também a alterar as minhas rotinas de saída de casa. Normalmente seguia uma sequência previsível – fechar os cães da rua e a porta da garagem, soltar os cães de casa no quintal enquanto mudo de roupa, colocar o computador portátil na mochila, fechar os cães de casa, pegar nas chaves e sair. Agora ando a alterar essa ordem, por exemplo, mudar de roupa e fazer outras coisas, soltá-los (ou não) e continuar a vidinha normal sem os fechar, etc., para tentar quebrar a associação da rotina fixa com a saída. Entretanto, há poucos dias passei uns dias sem carro, enquanto estava na oficina a ser arranjado. E isso permitiu-me identificar uma situação de que não me tinha apercebido – quando seguia as minhas rotinas normais para sair de casa, mas indo de autocarro em vez de carro, os cães não faziam barulho! E quando voltava para casa de autocarro, o Kikko não se punha a ladrar tão rapidamente e tão alto, só quando estava mesmo a entrar em casa. Ou seja, aparentemente o principal iniciador do barulho não era o facto de eu sair em si, mas sim o barulho do carro. Óptimo! Finalmente identifiquei (espero eu!) o factor que inicia a ansiedade no Pinhão e no Kikko quando saio. E se for efectivamente o carro, penso que será uma situação relativamente fácil de dessensibilizar – deverá ser suficiente ir ligando e desligando o carro em diferentes alturas, sem necessariamente sair, sair e regressar logo, etc.

Agora é esperar pelas “cenas dos próximos capítulos” para ver se efectivamente se controla o problema assim ou não…

(Se chegou agora a este post e não faz ideia do que estou a falar, veja a primeira parte da série e a segunda parte da série)

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