quinta-feira, 1 de março de 2012

When to start taking out your new puppy

(Versão portuguesa aqui)

A common concern about new puppy owners is when they can start taking their puppies out on the street. I usually recommend they start taking them a few days after they’ve had their first set of vaccines. Of course, no puppy leaves our home unless a few days have passed since their first (or second, depending on the type) set of vaccines, so in practice that means they can start taking them out from the moment the puppy is adjusted to his new family. Vaccines nowadays are much safer than in the old days, can be administered sooner and more dogs are vaccinated, making strange dogs less of a risk of transmitting disease.
However, there is still much outdated information running about, specially by well meaning but inexperienced people or old-school vets.

To help in dispelling some of these myths, I reproduce below an open letter by Dr. R.K. Anderson, DVM, MPH, DACVB, DACVPM, a reference in the behavioral veterinary community and founder of the Animal Behavior Resources Institute.

Thank you Joyce Kesling, CDBC, from Responsible Dog & Cat Training ~ Behavior Solutions for pointing me to this one! :-)

The emphasis on some sentences is mine.



Puppy Vaccination and Early Socialization Should Go Together

Diplomate ACVB and ACVPM
Professor and Director Emeritus, Animal Behavior Clinic and Center to Study Human/Animal Relationships and Environments
University of Minnesota
1666 Coffman Street, Suite 128,
Falcon Heights, MN 55108
Phone 612-644-7400 FAX 612-644-4262

An Open Letter to My Colleagues in Veterinary Medicine:

Puppies begin learning at birth and their brains appear to be particularly responsive to learning and retaining experiences that are encountered during the first 13 to 16 weeks after birth. This means that breeders, new puppy owners, veterinarians, trainers and behaviorists have a responsibility to assist in providing early learning and socialization experiences with other puppies/dogs, with children/adults and with various environmental situations during this optimal period from birth to 16 weeks of age.

Many veterinarians are making this early socialization and learning program part of a total wellness plan for breeders and new owners of puppies during the first 16 weeks of a puppy’s life -- the first 7-8 weeks with the breeder and the next 8 weeks with the new owners. These socialization classes should enroll puppies from 8 to 12 weeks of age as a key part of any Wellness Program to improve the bond between pets and their people and increase retention of dogs in their first puppy home. (See -- JAVMA, Vol 223, No. 1, pages 61-66, 2003)

To take full advantage of this early special learning period, many veterinarians recommend that new owners take their puppies to puppy socialization classes, beginning at 8 to 9 weeks of age. At this age they should have (and should be required to have) received a minimum of their first series of vaccines for protection against infectious diseases. This provides the basis for increasing immunity by further repeated exposure to these antigens either through natural exposure in small doses or artificial exposure with vaccines during the next 8 to 12 weeks. In addition the owner and people offering puppy socialization should take precautions to have the environment and the participating puppies relatively free of natural exposure by good hygiene and relatively clean environments.

Experience and epidemiologic data support the relative safety and lack of transmission of disease in these puppy socialization classes over the past 10 years in many parts of the United States. In fact; the risk of a dog dying because of infection with distemper or parvo virus disease is far less than the much higher risk of a dog dying (euthanasia) because of a behavior problem. Many veterinarians are now offering new puppy owners, puppy socialization classes in their hospitals or nearby training facilities with assistance of trainers and behaviorists. This emphasizes the importance of early socialization and training as important parts of a wellness plan for every puppy. We need to recognize that this special sensitive period for learning is the best opportunity we have to influence behavior for dogs and the most important and longest lasting part of a total wellness plan.

Are there risks? Yes. But 10 years of good experience and data, with few exceptions, offers veterinarians the opportunity to generally recommend early socialization and training classes, beginning when puppies are 8 to 9 weeks of age. However, we must respect an individual veterinarian’s professional judgment, in individual cases or situations, where special circumstances warrant further immunization for a special puppy before enrolling in early learning and socialization classes between 8 and 12 weeks of age. Please note that during any period of delay for entering puppy classes, owners should begin a substitute wellness program of early socialization with children, adults, other animals and environmental stimuli outside their family, to take advantage of this special period in a puppy’s life with planning and consideration for any concerns of the pet’s veterinarian.

Please remember that the risk of a dog dying (euthanasia) because of behavior problems is more than 1,000 times the risk of dying of distemper or parvo virus. Early learning, socialization of puppies and appropriate vaccination should go together in a wellness program designed to protect lives of dogs and improve the bond with families.

If there are further questions, veterinarians/trainers may call me for discussion and clarification.

Quando começar a levar o cachorro à rua

(English version here)


Uma preocupação comum dos novos donos de cachorros é quando podem começar a levar os seus cachorros à rua. Normalmente recomento que os comecem a levar alguns dias após terem recebido as suas primeiras vacinas. Claro que, como nenhum cachorro sai de nossa casa sem que se tenham passado alguns dias da sua primeira (ou segunda, dependendo do tipo) dose de primo-vacinação, na prática isto significa que podem começar a sair a partir do momento que o cachorro esteja adaptado à sua nova família. Actualmente as vacinas são muito mais seguras que antigamente, podem ser administradas mais cedo e há mais cães vacinados, o que leva a que cães estranhos sejam menos propensos a transmitir doenças.
No entanto, ainda há muita informação desactualizada a circular, principalmente por parte de pessoas bem-intencionadas mas inexperientes ou veterinários da velha guarda

Para ajudar a refutar alguns desses mitos, reproduzo abaixo a minha tradução de uma carta aberta do Dr. R.K. Anderson, DVM, MPH, DACVB, DACVPM, uma referência no mundo da veterinária comportamentalista e fundador do Animal Behavior Resources Institute.


O ênfase em algumas das frases é meu.

A vacinação dos cachorros e a socialização atempada devem andar de mãos juntas

Diplomate ACVB and ACVPM
Professor and Director Emeritus, Animal Behavior Clinic and Center to Study Human/Animal Relationships and Environments
University of Minnesota
1666 Coffman Street, Suite 128,
Falcon Heights, MN 55108
Phone 612-644-7400 FAX 612-644-4262

Uma carta aberta aos meus colegas na Medicina Veterinária:

Os cachorros começam a aprender aquando do nascimento e o seu cérebro parece ser particularmente receptivo à aprendizagem e a reter experiências que são encontradas durante as primeiras 13 a 16 semanas após o nascimento. Isto significa que os criadores, os novos donos dos cachorros, os veterinários, os treinadores e os especialistas em comportamento têm a responsabilidade de ajudar a fornecer experiências atempadas de aprendizagem e de socialização com outros cachorros/cães, com crianças/adultos e com várias situações ambientais durante este período óptimo do nascimento às 16 semanas de idade.

Mutis veterinários tornam este programa de socialização e aprendizagem precoce parte de um plano total de bem-estar para criadores e novos donos de cachorros durante as primeiras 16 semanas da vida do cachorro – as primeiras 7-8 semanas com o criador e as 8 semanas seguintes com os novos donos. Estas aulas de socialização devem envolver cachorros das 8 às 12 semanas de idade como uma parte essencial de qualquer Programa de Bem-Estar para melhorar a relação entre os animais de companhia e as suas pessoas e aumentar a retenção dos cães na sua primeira casa de cachorro (ver JAVMA, Vol 223, No. 1, páginas 61-66, 2003)

Para beneficiar ao máximo deste período especial de aprendizagem, muitos veterinários recomendam que os novos donos levem os seus cachorros a aulas de socialização de cachorros, começando pelas 8 ou 9 semanas. Com esta idade terão recebido (e deve-lhes ser requerido) um mínimo da sua primeira série de vacinas de protecção contra doenças infecciosas. Isto fornece a base para uma imunidade cada vez maior através da exposição repetida a estes antigénios, quer através da exposição natural em pequenas doses quer pela exposição artificial com vacinas durante as 8 a 12 semanas seguintes. Adicionalmente, o dono e as pessoas oferecendo a socialização do cachorro devem tomar precauções para que o ambiente e os cachorros que participam estejam relativamente livres de exposição natural através de boa higiene e ambientes relativamente limpos.

A experiência e dados epidemiológicos apoiam a relativa segurança e ausência de transmissão de doenças nestas aulas de socialização de cachorros ao longo dos últimos 10 anos em muitas partes dos Estados Unidos. Efectivamente, o risco de um cão morrer com uma infecção por esgana ou parvovirose é muito menor que o risco muito mais elevado de o cão morrer (eutanasiado) devido a um problema de comportamento. Muitos veterinários oferecem agora, aos novos donos de cachorros, aulas de socialização nos seus hospitais ou em instalações de treino nas imediações, com a assistência de treinadores e especialistas em comportamento. Isto enfatiza a importância de socialização e treino atempados como partes importantes de um plano de bem-estar para todos os cachorros. Precisamos de reconhecer que este período especial sensível à aprendizagem é a melhor oportunidade que temos para influenciar o comportamento para os cães e a parte mais importante e duradoura de um plano de bem-estar total.

Há riscos? Sim. Mas 10 anos de boa experiência e dados, com raras excepções, fornecem aos veterinários a oportunidade para de uma forma geral recomendarem aulas de socialização e treino precoces, começando quando os cachorros têm 8 a 9 semanas de idade. No entanto, devemos respeitar a opinião profissional de cada veterinário, em casos ou situações individuais, em que circunstâncias especiais requeiram maior imunização de um dado cachorro antes de o inscrever em aulas de socialização e treino precoces entre as 8 e as 12 semanas de idade. Tenha em atenção que durante qualquer período de atraso na inscrição em aulas para cachorros, os donos devem começar um programa de bem-estar substituto com socialização precoce a crianças, adultos, outros animais e estímulos ambientais fora da sua família, para beneficiarem deste período especial da vida do cachorro, tendo em consideração o planeamento e quaisquer preocupações do veterinário do cachorro.

Lembre-se que o risco de um cão morrer (eutanasiado) devido a problemas comportamentais é mais de 1000 vezes o risco de morrer por esgana ou parvovirose. A aprendizagem precoce, a socialização dos cachorros e a vacinação adequadas devem andar juntas num programa de bem-estar desenhado para proteger as vidas dos cães e melhor a sua ligação às famílias.

Se houver mais questões, os veterinários/treinadores podem contactar-me para discussão e clarificação.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Puppies playing with adult dogs

(Versão portuguesa abaixo)

It is very important that, during their growth, puppies get used to dealing both with people and with dogs other than their mother. That’s the way they learn their species’ behavioural codes, that they learn to relate and communicate with other dogs. If they are denied these experiences, when they are older they may experience difficulties in dealing with other dogs they meet along their lives. This may eventually lead to aggression due to communication problems.

You can read here an article I wrote for the “Cães e Companhia” magazine about the behavioural development of dogs from birth to adulthood. Unfortunately for some of you, I only have a Portuguese version of it. I hope to translate it in the near future.


At home, our puppies are first introduced to other dogs of their breed/morphological type. At first they only interact with the adults on a one-on-one basis. Afterwards, as I assess the behaviour of the puppies and the adults, they can play with an increasingly larger number of dogs. In this video, 7 week-old puppies play with most of our adult Dachshunds and Drevers. Of course, this only happened after several weeks spent introducing the puppies to the adults.



After the puppies are comfortable with dogs of their type and size, I begin to introduce them to dogs of different size and behaviour.
On this video, the puppies are getting to know some of our Barbados da Terceira (Terceira Cattle Dogs).
One of the advantages of having dogs of different breeds, with distinct physical and behavioural traits, is that our puppies learn from a young age to interact with different types of dogs, learning the differences in behaviour and communication associated to different morphologies and functions.



IMPORTANT: I do not recommend anyone to place many adult dogs and puppies together. Only consider doing it if you have in-depth knowledge of each dog’s behaviour, both with puppies and with other dogs, and have excellent knowledge of canine behaviour and body language (so you can detect any potential problem before it escalates). Naturally, even so you should only do it if you can properly supervise the dogs. Playing can easily lead to an increase of arousal, so the dogs may unwillingly harm a puppy. Even the puppies’ natural awkward behaviour, different from that of the adults, may trigger predatory behaviour which, along with pack behaviour due to having several dogs together, may lead to serious injury to a puppy if there is not strict supervision by an experienced person!

What about you, what do you do to make sure your dogs goes along with everyone he meets on the street?

Cachorros brincando com cães adultos

(English version above)

É muito importante que, durante o seu crescimento, os cachorros se habituem a lidar quer com pessoas quer com outros cães que não a sua mãe. É desta forma que aprendem os códigos de conduta próprios da sua espécie, que aprendem a relacionar-se e a comunicar com outros cães. Se forem privados destas experiências, quando forem mais velhos poderão vir a ter dificuldades em lidar com outros cães que encontrem ao longo da sua vida, o que pode mesmo levar a eventuais agressões devidas a desentendimentos por problemas de comunicação.

Pode ver aqui um artigo que escrevi para a revista “Cães e Companhia” sobre o desenvolvimento comportamental dos cães desde o nascimento até à idade adulta:



Em nossa casa, os nossos cachorros são primeiro apresentados aos outros cães da sua raça/tipo morfológico. Inicialmente apenas interactuam com os adultos um a um. Depois, à medida que vou avaliando o comportamento quer dos cachorros quer dos adultos, irão brincando com cada vez mais cães. Neste vídeo, os cachorros, com 7 semanas, estão a brincar com a maioria dos nossos Teckels e Drevers adultos. Naturalmente, isto apenas aconteceu depois de várias semanas a apresentar os cachorros aos adultos.



Depois de os cachorros estarem à vontade com os cães do seu tipo e porte, começo a apresentá-los aos cães de tamanho e comportamento diferente.
Neste vídeo, os cachorros estão a conhecer alguns dos nossos Barbados da Terceira.
Uma das vantagens de termos cães de raças diferentes, com características físicas e comportamentais distintas, é que os nossos cachorros aprendem desde cedo a relacionar-se com diferentes tipos de cães, aprendendo as diferenças de comportamento e comunicação associadas a diferentes morfologias e funcionalidades.



ATENÇÃO: Não recomendo a qualquer pessoa que coloque vários cães adultos e cachorros juntos. Apenas pondere fazê-lo se conhecer muito bem o comportamento de cada um quer com os cachorros quer com os outros cães e se tiver excelentes conhecimentos de comportamento canino e de interpretação de linguagem corporal (de forma a poder aperceber-se de qualquer problema antes que escale). Naturalmente, mesmo assim, apenas deverá fazê-lo se puder estar vigiar adequadamente os cães. Facilmente uma brincadeira poderá levar a um aumentar do nível de excitação dos cães de forma a que possam inadvertidamente magoar um cachorro. O próprio comportamento dos cachorros, diferente do dos adultos, pode levar a um despoletar do instinto predatório o que, associado ao comportamento de matilha por estarem vários cães juntos, pode levar a que haja danos sérios aos cachorros se não houver uma supervisão estrita por parte de uma pessoa experiente! 


E quanto a si, o que faz para tentar assegurar que o seu cão se entende com quem se encontra na rua?

domingo, 25 de dezembro de 2011

Etiquette with older dogs (and their owners!)


I have been through this with my first dog, and over the last few months with a severely ill dog. Seeing this article a few days after his death, and upon the comments I heard from strangers as my dog was getting worse by the day, it touched a sensitive nerve.

I think this is an article everyone should read!

Reprinted with permission from The Bark


A call for improving our etiquette with older dogs.

Like everyone else in a society loudly lamenting a decline in civility, I recognize there are new breaches of etiquette every minute. On any typical day, cell phones alone account for the rudeness factor going off the charts.
But I believe there is one type of impolite behavior among adult humans that goes pretty much unchecked. I’ve been guilty of it myself and slinked away feeling really stupid. It just isn’t something that makes it into the etiquette books and it apparently isn’t even worth Miss Manners’ fleeting consideration.

I am referring to the blunt, utterly uncensored and often just plain mean things people say to us about our dogs (by “us” I mean dog people). My close friend Pam has a 12-yearold German Shepherd who is visibly aging. So are the rest of us, human and canine, but to what person would you ever be so crude as to say the following: “Is that your mother? Wow, she looks awful. She can hardly move!” Yet this is the unsolicited blubbering my friend endures from strangers, all day long, about her old dog. I empathize because I’ve been through this three times, beginning with our family Beagle, Sam, who lived to be nearly 17, mostly out of spite.
“How old is he?” People would ask this unrelentingly about my now-departed Irish Setter, Amos. I didn’t mind telling them that he was 12 or 13. “Wow. They don’t live much longer than that, do they?” How tacky is this?
But it gets worse. When my big, hairy mutt, Louie (we called him our “Bavarian crotch-smeller”) was old and frail, someone once asked me, “Have you thought about putting him down?” First of all, that’s kind of like asking a woman in her 40s (this also happened to me), “Have you ever thought about having children?” “Gee, there’s an idea! Why didn’t I think of that?” When your dog is old and sick, the end is pretty much all you can think about. Your heart is breaking and you’re preparing yourself to come to that decision in a way that spares your dog unnecessary suffering while giving yourself time to feel as peaceful as possible about letting him go.
People assume they can say anything they like about a stranger’s dog. While they’d (I hope) refrain from saying, “Excuse me, but it looks like your husband is losing his hair,” when Louie was suffering from Cushing’s disease, strangers constantly took it upon themselves to point out his hair loss. “Do you know your dog is losing his hair?” And what can you do except mumble, um, yes, this is my dog, he’s part of my family, I’m nearly always with him, I bathe him, I brush him, he sleeps with us, and throughout most, if not all, of these activities, I am looking at him! And it’s always too late when you think of how you could’ve said, “Do you know you have a wart on your chin?”

Pam is at the point where she dreads walking her dog in public because she knows passersby will make insensitive comments she can’t bear to hear. Out in the world she is thoughtful and tender enough not to remind everyone she encounters that they are mortal. Like the rest of us, she can tell when a person’s on his or her last legs, but she keeps herself from saying, “Gee, you sure are slowing down” or asking the person’s daughter, “So how long do people in your family tend to live?” When approaching people like my friend, it helps to remind oneself that she knows her dog is old. She knows it every waking second of every day.

The last years and months we share with our geriatric dogs are among the most bittersweet times in dog lovers’ lives. We know, from the moment we choose these guys as puppies or meet their limpid stares at the animal shelter, that our hearts will be torn apart some day. What makes it so much worse is that the older they get, the sweeter they get, and when they reach absolute critical sweetness—you simply cannot love them any more than you already do—they grow completely exhausted and die. So a person patiently coaxing an old dog on his increasingly shrinking route is someone who could benefit from a little compassionate restraint. Like a simple hello for the owner, or a tender pat on the head for the doggie emeritus.

Etiqueta para com cães idosos (e os seus donos!)

(English version above)

Passei por isto com o meu primeiro cão, e ao longo dos últimos meses com um cão gravemente doente. Ler este artigo uns dias após a sua morte, e com os comentários que ouvi de desconhecidos quando o meu cão estava a piorar de dia para dia, tocou um ponto sensível.
Penso que este é um artigo que todos deveriam ler!

Republicado com permissão de The Bark


Uma chamada de atenção para melhorar a nossa etiqueta com os cães mais velhos.

Como qualquer outra pessoa numa sociedade que cada vez mais lamenta a redução do civismo, reconheço que há novas quebras de etiqueta a cada minuto. Por exemplo, num qualquer dia, os telemóveis são responsáveis por um factor de descortesia fora da escala.
Mas penso que há um tipo de comportamento indelicado entre os adultos humanos que basicamente não é controlado. Eu própria fui culpada dele e afastei-me sentindo-me realmente estúpida. É uma daquelas coisas que não chega aos manuais de etiqueta e aparentemente nem sequer é digno uma consideração fugidia por qualquer Paula Bobone.

Refiro-me às coisas rudes, completamente sem censura e frequentemente simplesmente más que as pessoas nos dizem sobre os nossos cães (por “nos” refiro-me ao pessoal dos cães). A minha grande amiga Pam tem um Pastor Alemão de 12 anos que está a envelhecer a olhos vistos. Tal como ocorre com qualquer um de nós, humanos e caninos, mas que pessoa seria tão rude a ponto de dizer: “Essa é a sua mãe? Ena, está com um aspecto terrível. Mal se pode mexer!” No entanto este é o tipo de lamechices não solicitadas que a minha amiga tem de aturar de estranhos, o dia todo, sobre o seu cão idoso. Posso simpatizar porque passei por isto três vezes, começando com o Beagle da minha família, o Sam, que viveu até quase aos 17 anos, a maioria deles principalmente por força de vontade.
“Que idade tem?” As pessoas perguntavam isto incessantemente sobre o meu agora-defunto Setter Irlandês, o Amos. Não me importava de lhes dizer que tinha 12 ou 13 anos. “Ena. Não vivem muito mais, pois não?” Quão esfarrapado é isto?
Mas ainda fica pior. Quando o meu grande e lanudo rafeiro Louie (chamávamos-lhe o nosso “cheira-virilhas da Bavária”) estava velho e frágil, uma pessoa uma vez perguntou-me, “Já pensou em abatê-lo?”. Antes de mais, isso é um bocado como perguntar a uma mulher nos seus 40s (isto também me aconteceu), “Alguma vez pensou em ter filhos?”. “Hmm, ora que bela ideia! Porque é que eu não pensei nisso?”. Quando o nosso cão está velho e doente, praticamente só conseguimos pensar no fim. O nosso coração está despedaçado e preparamo-nos para chegar à decisão de forma a evitar sofrimento desnecessário ao nosso cão enquanto nos damos tempo para nos sentirmos tão tranquilos quanto possível em relação a deixá-lo partir.
As pessoas assumem que podem dizer o que quiserem sobre o cão de um desconhecido. Enquanto que (espero) abster-se-iam de dizer “Desculpe, mas parece que o seu marido está a perder o cabelo”, quando o Louie estava a sofrer da doença de Cushing, perfeitos desconhecidos constantemente assumiam o dever de apontar a sua perda de pêlo. “Sabia que o seu cão está a perder o pêlo?”. E que mais podemos fazer para além de resmungar, ahm, sim, é o meu cão, é parte da minha família, estou quase sempre com ele, dou-lhe banho, escovo-o, dorme connosco e ao longo de quase todas estas actividades, se não em todas, estou a olhar para ele! E lembro-me sempre demasiado tarde que podia ter respondido “Sabe que tem uma verruga no sei queixo?”.

A Pam chegou ao ponto de recear passear o seu cão em público porque sabe que os transeuntes vão fazer comentários insensíveis que ela não consegue mais ouvir. Quando está na rua, ela é suficiente sensível para não recordar todas as pessoas com quem se cruza que são mortais. Tal como qualquer um de nós, consegue ver quando uma pessoa está nas últimas, mas abstém-se de dizer “Ena, está mesmo mais lento” ou de perguntar à filha da pessoa “Então e quanto tempo é que as pessoas da sua família tendem a viver?”. Quando se abordam pessoas como a minha amiga, ajuda lembrarmo-nos que ela sabe que o seu cão é velho. Ela sabe-o em cada segundo de cada dia.

Os últimos anos e meses que partilhamos com os nossos cães geriátricos são dos tempos mais agridoces da vida dos amantes de cães. Sabemos, desde o momento que os escolhemos em cachorros ou olhamos para o seu olhar cristalino no refúgio de animais, que os nossos corações se irão despedaçar um dia. O que torna tudo pior é que quanto mais velhos vão ficando, mais doces vão ficando, e quando alcançam uma doçura absolutamente crítica– simplesmente não se pode amá-los mais do que o que se ama já – ficam completamente exaustos e morrem. Pelo que uma pessoa que pacientemente ajuda um cão idoso no seu percurso cada vez menor é alguém que poderia beneficiar de um pouco de contenção piedosa. Como um simples olá ao dono, ou uma festa carinhosa na cabeça do canito emérito.