terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Pegadas no coração

(English version above)

Tal como acontece com as pessoas, alguns cães vêm e vão, e outros deixam uma marca permanente no nosso coração. Ao longo dos vários cães que tenho tido, com que trabalhei ou que vivi, tenho a sorte de ter tido não um, mas 3 a quem posso chamar “o cão da minha vida”, cães com os quais, por diferentes circunstâncias, criei uma relação particularmente especial, e vice-versa. Com alguém uma vez disse… Vai-se tornando mais fácil, não se vai tornando melhor!...


(E para quem acha que um criador apenas gosta dos cães que dão bons resultados em exposições ou na criação… O Top foi um cão recolhido da rua; o Nikko veio de um criador pouco recomendável, sem papéis, tinha um pelo incorrecto, um carácter que deixava muito a desejar e nunca criou; e o Leão nem sequer era meu! Os criadores também são pessoas!)


Top


O Top foi o meu primeiro cão. Como costumava dizer, era um "90% Teckel de Pêlo Curto" - demasiado parecido com um Teckel para ser um rafeiro ou um cruzado, demasiado mau para ser um cão puro! ;)
Encontrado na rua a 27 de Dezembro de 1985, ninguém o reclamou, apesar dos nossos esforços em encontrar os seus donos, pelo que acabou por ficar connosco. Entrou na minha vida numa fase complicada da minha família, e acompanhou-me durante a fase mais importante do meu crescimento. E influenciou de forma decisiva a minha vida pessoal e profissional. Foi graças a ele que adquiri a minha paixão por cães, que escolhi a profissão que escolhi (bem, depois de decidir que não tinha estômago para veterinária), que escolhi a "minha" raça - o Teckel é e será sempre a minha primeira e última raça.
Foi possivelmente um dos cães mais famosos de Oeiras, onde cresci, numa altura em que os cães ainda podiam andar à solta na rua. Aliás, lá eu era conhecida como "a filha da professora Margarida", "a irmã da Paula" ou... "a dona do Top" :)
E apesar de ter morrido há tanto tempo, o vazio que existe no meu coração ainda é grande...

Nikko

 
Se o Top me acompanhou naquela que considero a fase mais importante do meu crescimento, o Nikko acompanhou-me na minha entrada na vida adulta... Foi a minha companhia em 4 casas diferentes, partilhou comigo os melhores e os piores momentos da minha vida, foi com ele que descobri o prazer de treinar cães e as diferenças de motivação causadas por diferentes métodos de treino. Quando queria, sabia ser uma peste, e resmungar quando não lhe apetecia algo (sobretudo depois de ter sido atropelado e partido a anca), mas cedo aprendeu a consolar-me quando estava em baixo - era difícil estar triste muito tempo com as macacadas dele! Até ao fim, foi um eterno cachorro, e nada lhe dava maior prazer do que brincar com bolas, de todos os tamanhos possíveis.
Partiste demasiado cedo Nikko...

Leão


Só conheci o Leão em adulto, ou melhor, a sair da adolescência, com 1.5 anos, quando foi retomado pelo seu criador. Ele veio desconfiado com as pessoas e com medo de homens, e durante cerca de um ano eu era virtualmente a única pessoa com quem ele era capaz de estar relaxado. O que contribuiu para criarmos uma relação muito especial, era o tipo de cão que sabia o que eu queria e sentia, reagindo de forma adequada, sem lhe dizer nada. Ensinou-me muito sobre a relação entre pessoas e cães, e sobre comportamento entre cães. Era o cão que levávamos para as escolas e TV em acções de divulgação, andando à solta no meio de crianças, e o mesmo cão era um guarda incorruptível da quinta. Era o cão capaz de andar juntamente com vários outros cães, machos e fêmeas, adultos e juvenis, sem problemas, capaz de disciplinar os jovens sem precisar de recorrer a agressividade – quem não soubesse o que estava a ver, apenas via cães a brincar, quem soubesse, via ali todos os sinais de disciplina no grau necessário e nada mais do que isso.
Mas acima de tudo, e apesar do dono ser outro, ambos sabíamos que era o “meu” cão…

Separation problems - update



I haven’t updated the blog in a very long time, partially due to an excess of professional work. So, let’s update the situation regarding the separation problems I’ve been dealing with…

Most of Kikko’s problems became quite manageable with time, as he settled into his new life. Most of his anxious bark ended, he now typically only barks with the normal situations – like seeing strange people or tractors passing in front of the house. He is not pulling a lot on the leash, even without the halter, although he will still do it when he’s excited. In his crate, although not totally relaxed during the day, he will stay quiet in the normal situations – like when he is locked up to sleep at night. The main problem remaining is his anxious (and noisy!) bark when he feels me arriving home after I left for a few hours.

About a couple of months ago, I started to realize (and my neighbor confirmed it) that the dogs would start barking and howling when I left home to go to town (something that doesn’t happen every day, one of the perks of working from home most of the time). Personally, it is something I don’t particularly consider a problem (after all, several dogs together tend to bark easily), but to avoid potential hassles with the neighbors, I’d have to do something about it. But, having several dogs, to assess what I should do, I first needed to know who was the noise-starter – howling is a social act, where several dogs join in after one starts, so it is important to know who starts it to know whom and how I have to manage… But the fact that they only make noise when I leave and there is no one at home (if there’s someone there they don’t make any noise) makes it hard to evaluate the situation. The only option – filming the dogs! I don’t have a video camera, but my photo camera allows me to record small videos. Unfortunately, they are limited to a 10 minutes length, but from my feeling and my neighbor’s comments, the dogs would start the noise almost after I left and only do it for a couple of minutes, so that length should be more than enough. So, first I aimed the camera to the most likely suspect – Kikko, who was still adjusting, was the most anxious dog and the least used to being in the crate (all my house dogs are used to being crated when I have to go somewhere for relatively short periods). Well, imagine my surprise when I come back home and saw the video – 10 minutes in which the dog, although not totally relaxed, is quiet and even lies down to sleep near the end of the video! Hmmm… ok, we have another unanticipated (but not totally unexpected) guilty dog… So next time I aim the camera at suspect #2 – Pinhão. Although Pinhão is used to being crated (actually, he often prefers to go sleep and relax in his crate than being with the other dogs), his anxiety level has increased since Kikko came back – probably a conjugation of Kikko’s anxiety with my excess of attention towards him and unintentional lack of attention towards the other dogs, thereby breaking Pinhão’s routines, which are essential for him to have some stability and relax (Pinhão is a very anxious dog, although he has made a huge progress since I have him). So, I started filming Pinhão and voilá, the “guilty” one was found. It was indeed Pinhão who started the whining and howling. Trough several days of filming, I realized I had actually been very “lucky” when I first filmed Kikko, as actually both Pinhão and Kikko would start the whining and howling. And once they started to howl, the rest of the dogs would follow – I realized Drevers love to howl, and Dachshunds are not that far behind, although they are easier to shut up! ;) Interestingly, normally the Barbados da Terceira would not join in the howling.
So…now I knew who was starting the noise when I leave… Now, how to deal with it? First, I thought of getting Kongs for everyone, not just Kikko as up to then. However, this did not work with Pinhão, his problem was not boredom, and he is not especially motivated by food (not even chew bones).
Idea number 2 was to put Pinhão’s and Kikko’s cratesside by side. They have become best friends, so I thought maybe the problem was being anxious for not being together (despite the fact that at night there was no problem). That also did not help, the noise continued…
Letting them out in the yard to do their business before I left also did not help…
So, then I thought of something that, although would not solve the core problem, could make the situation more manageable… My oldest Drever Lupi is the dog that will more easily start howling – when she hears other dogs whining, when she hears sirens on the street, when she hears different and prolonged noises… She usually sleeps in the crate with the house dogs, but when I leave during the day I leave her in the garage with the other dogs. When Pinhão and/or Kikko start whining when I leave, she is the first to start howling. So, if I could stop her from starting to howl, hopefully I would not have the usual “symphony”. So, before I left, I started bringing Lupi home and to her crate, with the rest of the house dogs. Good result! Pinhão and Kikko will still make noise, but as Lupi is with them, she does not begin to howl, so the rest of the dogs also do not howl. Ok, so I don’t have the ultimate cause solved, but the neighbor’s problem is controlled while I look for a better solution!
At the same time, I also began to change my exit routines. Normally I follow a predictable sequence – I lock up the dogs that are out on the yard and close the garage door, I let the house dogs out while I change clothes, I put the laptop in the backpack, I crate the house dogs, I get the keys and I leave. I am now changing that order, for example, change my clothes and go do other stuff, let the dogs out (or not) and continue my usual life without crating them, etc., to try to break the fixed pattern of leaving. In the mean time, a few days ago I had to go without my car for a few days while it was being worked on at the shop. And that allowed me to identify one situation I had not realized before – when I followed my normal routines to leave the house, but by bus instead of by car, the dogs would not make any noise! And when I came back home by bus, Kikko would not bark so quickly and so loud, only when I was about to enter the house. Which means, apparently the main trigger for the dogs’ noise was not me leaving per si, but the noise of the car. Great! So I have finally (I hope!) identified the trigger for Pinhão’s and Kikko’s anxiety when I leave. And if it is indeed the car, I think it will be relatively easy to desensitize them – it should be enough to turn the car on and off at different, without necessarily me leaving, leave and come straight back, etc.

Now, hopefully it is a matter of time to see if the problem really gets controlled this way or not…

(If you have just arrived to this post and have no idea what I'm talking about ;), please read the first part of the series and the second part of the series)

Problemas por separação - actualização

(English version above)

Há bastante tempo que não dou novidades, em grande parte devido a um excesso de trabalho a nível profissional. Vamos então fazer um ponto da situação quanto os problemas de separação com que tenho andando a lidar…

A maioria dos problemas do Kikko tornou-se bastante manejável ao longo do tempo, à medida que se foi acomodando à sua nova vida. A maioria do ladrar por ansiedade acabou, tipicamente já só ladra nas situações normais – como ver gente estranha ou tractores a passar em frente a casa. Já pouco puxa na trela, mesmo sem o halti, apesar de o fazer quando está excitado. Na caixa, apesar de não estar totalmente relaxado durante o dia, fica sossegado nas situações normais, como quando é fechado à noite para dormir. O principal problema que ainda persiste – o ladrar ansioso (e barulhento!) quando me sente a chegar a casa depois de ter saído durante algumas horas.

Há cerca de 2 meses, comecei a aperceber-me (e foi-me corroborado pela vizinha) que os cães se punham a ladrar e uivar quando eu saía de casa para ir à cidade (algo que não ocorre todos os dias, vantagens de se trabalhar em casa uma boa parte do tempo). Pessoalmente, é uma situação que não considero particularmente problemática (afinal, vários cães juntos tendem a ladrar mais facilmente), mas de forma a evitar potenciais problemas com os vizinhos, seria necessário fazer algo a esse respeito. Mas, tendo vários cães, para determinar que acção deveria tomar, precisava primeiro de saber quem era o culpado pelo barulho – uivar é um acto social, em que vários cães se juntam quando um inicia o acto, logo é importante saber quem começa a fazer barulho para saber com quem e como terei de agir. Ora, o facto de eles só fazerem barulho quando eu saio e não fica ninguém em casa (se ficar alguém em casa, não fazem barulho), torna complicado avaliar a situação. A única opção – filmar os cães! Não tenho nenhuma câmara de vídeo, mas felizmente a máquina fotográfica permite gravar pequenos vídeos. Infelizmente estão limitados a 10 minutos de duração, mas pela minha impressão e comentários da vizinha, os cães começavam a fazer barulho quase logo a eu sair, e apenas durante um par de minutos, pelo que esta duração deveria ser o suficiente. Primeiro, apontei a câmara ao suspeito mais provável – o Kikko, que ainda estava em fase de adaptação, era o cão mais ansioso e o menos habituado a estar em caixa (todos os cães que tenho em casa estão habituados a ficar fechados nas suas transportadoras quando tenho que ir a algum lado durante períodos relativamente curtos). Ora, qual não foi a minha surpresa quando regresso a casa e visiono o vídeo – 10 minutos em que o cão, apesar de não estar totalmente relaxado, está calado e chega mesmo a deitar-se para dormir perto do fim da filmagem! Hmmm… ok, então temos outro culpado não antecipado (mas não de todo inesperado) … Na vez seguinte, aponto então a câmara ao suspeito nº 2 – o Pinhão. Apesar de o Pinhão estar habituado a estar na sua caixa (aliás, frequentemente prefere ir dormir e relaxar para lá que estar com os outros cães), o seu nível de ansiedade aumentou desde que o Kikko voltou para cá – provavelmente por uma conjugação da ansiedade do Kikko com o meu excesso de atenção para com ele, inadvertidamente prestando menos atenção aos outros, quebrando as suas rotinas, essenciais para ele encontrar alguma estabilidade e relaxar (O Pinhão é um cão muito ansioso, apesar de ter feito enormes progressos desde que está comigo). Portanto, filmei o Pinhão e voilá, o “culpado” estava encontrado. Efectivamente, era o Pinhão a começar com gemidos e uivo. Ao longo de filmagens subsequentes, apercebi-me que tinha tido bastante “sorte” quando filmei o Kikko da primeira vez, pois na realidade quer o Pinhão quer o Kikko são os iniciadores dos gemidos e uivos. E começando eles a uivar, os restantes seguem-se – apercebi-me que os Drevers adoram uivar, e os Teckels não ficam muito atrás, embora sejam mais fáceis de calar! ;) Curiosamente, normalmente os Barbados da Terceira não se juntavam ao coro.
Ora bem… então já sabia então quem começava a fazer barulho quando eu saia… agora, como lidar com isso? Primeiro, pensei em arranjar Kongs para todos, não apenas para o Kikko como tinha até então. Porém, isto não funcionou com o Pinhão, o problema dele não era o aborrecimento, além de ele não ser particularmente motivado por comida (nem mesmo ossos de roer).
A ideia número 2 foi por a caixa do Pinhão e do Kikko lado a lado. O Pinhão e o Kikko tornaram-se os melhores amigos, pelo que pensei que talvez o problema fosse ansiedade por não estarem juntos (apesar de à noite não o estarem e não haver problemas). Isso também não resolveu, o barulho continuou…
Soltá-los para passearem e fazerem as necessidades no quintal antes de sair também não ajudou…
Entretanto, lembrei-me de uma coisa que, não resolvendo o problema de base, poderia tornar a situação manejável… A minha Drever mais velha, a Lupi, é a cadela que mais facilmente se põe a uivar – quando ouve outros cães a gemer, quando ouve sirenes na estrada, quando ouve barulhos diferentes e prolongados... Costumo pô-la a dormir dentro de casa, mas quando saio durante o dia ela fica na garagem com outros cães. Ora, quando o Pinhão e/ou o Kikko começam a gemer quando saio, a primeira a começar a uivar é a Lupi, e os restantes cães começam a uivar depois dela. Portanto, se conseguisse evitar que ela começasse a uivar, à partida já não teria o “concerto” habitual. Portanto, quando vou sair, comecei a trazer a Lupi para casa e para a sua caixa, ao pé das dos restantes cães de casa. Bom resultado! O Pinhão e o Kikko ainda fazem barulho, mas como a Lupi está ao pé deles, já não se põe a uivar, pelo que o resto dos canitos também não. Ok, não tenho a causa última resolvida, mas tenho o problema com os vizinhos manejado enquanto procuro uma solução melhor!
Adicionalmente, comecei também a alterar as minhas rotinas de saída de casa. Normalmente seguia uma sequência previsível – fechar os cães da rua e a porta da garagem, soltar os cães de casa no quintal enquanto mudo de roupa, colocar o computador portátil na mochila, fechar os cães de casa, pegar nas chaves e sair. Agora ando a alterar essa ordem, por exemplo, mudar de roupa e fazer outras coisas, soltá-los (ou não) e continuar a vidinha normal sem os fechar, etc., para tentar quebrar a associação da rotina fixa com a saída. Entretanto, há poucos dias passei uns dias sem carro, enquanto estava na oficina a ser arranjado. E isso permitiu-me identificar uma situação de que não me tinha apercebido – quando seguia as minhas rotinas normais para sair de casa, mas indo de autocarro em vez de carro, os cães não faziam barulho! E quando voltava para casa de autocarro, o Kikko não se punha a ladrar tão rapidamente e tão alto, só quando estava mesmo a entrar em casa. Ou seja, aparentemente o principal iniciador do barulho não era o facto de eu sair em si, mas sim o barulho do carro. Óptimo! Finalmente identifiquei (espero eu!) o factor que inicia a ansiedade no Pinhão e no Kikko quando saio. E se for efectivamente o carro, penso que será uma situação relativamente fácil de dessensibilizar – deverá ser suficiente ir ligando e desligando o carro em diferentes alturas, sem necessariamente sair, sair e regressar logo, etc.

Agora é esperar pelas “cenas dos próximos capítulos” para ver se efectivamente se controla o problema assim ou não…

(Se chegou agora a este post e não faz ideia do que estou a falar, veja a primeira parte da série e a segunda parte da série)

sábado, 27 de novembro de 2010

Update on Kikko (or... can a head halter help with separation problems?)


This post is an update on what’s been going on with Kikko since he came back. You can read the initial description here



So… Kikko hás been here for 4 weeks. Some days have been better, some days have been worst, but the good days are becoming more frequent. Specially in this last week there has been a great improvement! We’ll get to that…

His adaptation to the rest of my dogs was awesome! It seems as if he never left! Since day 1 I have been letting him loose with his siblings, his mother, his “cousins”, “uncles” and “grandmother” (i.e. with the other Drevers and Dachshunds) and there has never been any aggressive reaction from anyone, no one kept aside, no one trying to dominate. I’m not surprised about that with the Drevers, my experience with them is that they are not dominating dogs. I was a bit surprised with the Dachshunds, but I suppose the age of all the puppies – 10 months – aids in no one trying to impose themselves or posing a “threat” to the older ones. All my dogs are also used to being with dogs of different sizes and ages, which also helps to build tolerance.

Actually, as far as adaptation goes, Kikko has been doing wonders to Pinhão, a 4 year old Dachshund. Since I’ve had him 2 years ago, he has always been very shy and interacting very little with other dogs. However, for the first time I see him playing like a puppy! It seems he found his soul mate on Kikko! :)
However, Kikko’s coming here had one drawback for Pinhão. He is an extremely sensitive dog, the type that when he feels a bit more stress from people will lie down on the floor, avert gaze and do absolutely nothing. It takes a lot of encouraging and some patience for him to build up enough confidence to come back to me. Well, these days have been quite stressful for me – I’m already naturally stressed, and with Kikko’s problems I’ve been even more stressed, especially with the near constant and persistent barking. It took me a while to realize this situation, so I’ve been doing an even bigger effort for self-control. And the progresses done with the puppy are also helping all of us to be more relaxed!

After a little more than a week, Kikko adjusted to our normal rhythm. He has always been an apartment dog, going out for walks on a leash (and, until very recently, a very thigh leash, because of his arm problems). Here, the dogs spend a good part of the day loose on the yard, in different groups. At first, he would not want to stay there for more than a few minutes at a time before starting to bark anxiously, as when he sees me disappear. But gradually he started to relax on the yard for longer periods, and now he does not bark to get out during all the time the dogs are there. He just does it when I start taking dogs out and I don’t take him, even if the order of the changes is the same every day – after all, both the dogs and myself like our steady routines. But that is changing… we’ll get to that…

In the mean time, as Kikko adjusted to the routines and a steady feeding schedule (before he had food ad libitum), his hygiene at home improved greatly. In the past 2 weeks, give or take, there have been no more accidents at hom. And when he needs to go out, he is starting to ask for it. He is still peeing at home, but now it is possible to find a context – lately he has only been doing it when I leave the house momentarily to take care of the other dogs. In this situation, he either barks or pees in the house. But that is also changing… we’ll get to that… (Are you staring to get the idea many chnges have happened in the past few days? ;) )

There was however a little setback, quickly resolved. After a couple of weeks after getting Kikko back, I had to leave for the weekend. So I asked the girl who sits for my dogs to come. All the other dogs know her well by now – except Kikko. Despite not having any more problemas apart from the usual (barking, peeing), I noticed that in the first days after that Kikko got a little worse, barking more and with a more anxious pitch and peeing more. But towards the end of the week he was back to normal. I guess he realized I was not going to disappear.

Regarding his crate training, there has been some progress. Thanks to sleeping and eating in there every night and using the kong during the day, he already goes happily to this crate!... Even when he does not need it but thinks he may get something by going! ;) However, if I crate him during the day, after a short while or if he thinks I’m leaving, he starts to bark a lot. And the kong is not helping here - even stuffed with treats he really likes, he will play a bit but when he realizes I’m about to leave he’ll start barking. During the night I have no problems, only when it gets close to getting up time. In this case, although he will not bark continuously as during the day, he will whine and bark sporadically until I get up, get ready and let him out; sometimes he will even soil the crate.

Against my expectations, I managed to find a head halter in town. Before I started suing it to attach the leash, to teach Kikko not to pull on the leash, I spent about a week and a half to get him used to using it without signs of discomfort or stress – many sessions of feeding treats through the loop, then with the loop on the muzzle, then attaching and releasing the halter, then having it on for a few minutes, then for several minutes. When I felt him at ease with the halter on, I started taking him out to the yard with it. In the beginning he still tried to fight it when he felt the resistance on the head, but with some treats he quickly realized where he could go without pushing on the leash. I’m also always using the same leash with him, so it is easier for him to learn the limits than if I was using leashes of different length or a retractable leash.
Even after I started taking him out on leash with the halter, I continued putting it on at home in different situations, so there would be no strict association between the halter and going out. And this brought me some unexpected benefits! And now yes, we got to that! ;)

Some days ago, a Facebook friend shared a link about the use of a face wrap to get a dog to stop barking inappropriately. I had heard of body wraps to help control fear and anxiety, but it was the first time I had heard about something similar for the muzzle. Initially, it seemed like a silly idea, the dog could easily take it off, or if he stopped barking it was because o the stress of having that thing around his muzzle.
(But then again, the first time I heard about clicker training, over 10 years ago, it also seemed like an unnecessary concept and after learning how to do it and seeing the behavior change in my own dog I became a total fan! So I will not immediately dismiss something I don’t know)
So… I read the text in the link, made a mental note and didn’t think about it again. Or rather, I probably would not have thought about it again, but something happened which I probably wouldn’t have even noticed if I hadn’t read the piece! And I said above, I was getting Kikko used to the head halter for several days, and could not longer see stress signs when he was wearing it. Back then I was already having him use the halter at home for some stretches of time. And it happened that during one of those periods I went out to switch the dogs I had loose on the yard. And for the first time I left home and he was not barking! Nor peeing! Nor jumping up my legs when I got back, he just came quietly. Hmmm… weird, this is not the Kikko I know! Well… a coincidence, I though… But that situations and the piece I had just read were tumbling in the back of my mind. So, since a week ago, I decided to start putting the halter on each time I had to leave the house for a bit (switching dogs, taking care of the others, etc.). And lo and behold, he did stop barking, when in those situations he would systematically do it. And the peeing in those situations also stopped! Yeah, one problem controlled! And as for barking on the year when I start taking dogs out and not him? Well, let’s give it a try too… I put the halter on when I start to take the dogs out and voilá, he stopped barking on that situations also. One more problem under control!
I was thinking… did he stop barking because he was uncomfortable wearing the halter? I don’t think so. I’ve been noticing that, either at home or outdoors, even with the halter on he still barks on “normal” situations (when he sees strangers, when he plays with other dogs, when he’s disputing a toy), it is just the anxious barking that stopped. Indeed so, I’m actually considering starting to use the halter when he’s on his crate, to see if it also works on that situation.
And after one weeks using the halter on this “secondary” role, I see that even when he’s not wearing it, I can change the dogs on the yard or leave the house for a while and the bark has considerably decreased. And despite that in this situation the peeing has returned (well, it’s fairly ok, I’d rather deal with pee that with the dog with the lungs from hell!), I notice Kikko is less anxious and excited when I get back home.

Kikko, Alfinete and Pinhão
So, in short, I think this week remarkable progress has been made! Kikko’s habituation to the home rhythms, his friendship with the other dogs (specially Pinhão and Alfinete) and, most especially, the major behavioral changes I saw this week with the help of the halter point towards an excellent recovery. Although I am aware it will be a long path!
Righ now, my main question is about if whether or not a full habituation will happen in the sense that the halter will no longer work on his “secondary” role. However, as I see some behavioral changes even when Kikko’s not wearing it, I’m hopping improvement will become more permanent


(P.S. – His serious look on the photo is not because of the halter, it’s because he was not too happy about being on top of a table, but it was the only way I could manage to get a decent photo of him all by myself)

Actualização sobre o Kikko (ou... pode um halti auxiliar em casos de problemas por separação?)

(English version above)


Este post é uma actualização ao que se tem passado com o Kikko desde que para cá veio. Podem ler o post inicial aqui



Bem… O Kikko já cá está há 4 semanas. Houve dias melhores, houve dias piores, mas os dias melhores estão a ser os mais frequentes. Sobretudo na última semana houve uma grande melhoria! Já lá vamos…

A adaptação aos meus restantes cães foi um espectáculo! Parece que nunca de cá saiu! Desde o primeiro dia que o solto juntamente com os irmãos, com a mãe, com os “primos”, “tios” e “avó” (ou seja com os restantes Drevers e Teckels) e nunca houve nenhuma reacção de agressividade de parte a parte, ninguém se manteve à parte, ninguém se tentou impor. Quanto aos Drevers, isso não me espantou, a experiência que tenho tido é que não são cães que se tentem impor. Em relação aos Teckels, surpreendeu-me um pouco, mas suponho que a idade da cachorrada toda – 10 meses – ajuda a quem ninguém tenha ideias de se tentar impor ou de constituir uma “ameaça” aos mais velhos. Todos os meus cães estão também habituados a estar com cães de diferentes tamanhos e idades, o que também ajuda à tolerância.

Aliás, a nível de adaptação, o Kikko fez maravilhas ao Pinhão, um Teckel com 4 anos. Desde que o tenho há mais de 2 anos, ele sempre excessivamente muito retraído e pouco interactivo com os outros cães. No entanto, pela primeira vez vejo-o a brincar como se fosse um cachorro! Parece que encontrou a sua alma gémea no Kikko! :)
No entanto, a vinda do Kikko teve uma desvantagem para o Pinhão. Ele é um cão extremamente sensível, é o tipo de cão que se sente um pouco mais de stress da parte das pessoas, deita-se no chão, evita encarar-me e não se consegue fazer nada dele; é preciso muito encorajamento e alguma paciência para que ele recupere a confiança suficiente para ele voltar ao que estava a fazer ou vir ter comigo. Ora, estes dias têm sido bastante stressantes para mim, pois se eu já sou stressada por natureza, com os problemas do Kikko ainda tenho andado mais, sobretudo com o ladrar quase constante e persistente. Demorei um pouco a aperceber-me desta situação, mas tenho feito um esforço ainda maior de auto-controlo. E os progressos que andam a ser feitos com o cachorro também estão a ajudar a andarmos todos mais relaxados!

Ao fim de pouco mais de uma semana, o Kikko acabou por se integrar no ritmo normal cá de casa. Ele sempre foi cão de apartamento e a ida à rua era à trela (e, até muito recentemente, bastante controlado por causa dos problemas da pata). Aqui, os cães passam uma boa parte do dia à solta num parque, em diferentes grupos. De início ele não queria ficar mais do que alguns minutos de cada vez, depois começava a ladrar, ansioso, da mesma forma que quando me vê desaparecer, mas gradualmente começou a ficar descontraído no parque cada vez mais tempo, e agora não ladra para sair durante todo o tempo que lá está, apenas quando começo a tirar os cães para os trocar e não o tiro logo a ele, apesar de a ordem das trocas ser a mesma todos os dias – afinal, quer os cães quer eu própria gostamos das nossas rotinas fixas! Mas isso está a mudar… já lá chegamos…

Entretanto, à medida que o Kikko se foi adaptando às rotinas, e a um horário de alimentação fixo (antes tinha a comida à disposição) a higiene em casa começou a melhorar bastante. Nas últimas duas semanas, aproximadamente, deixou de haver acidentes em casa. E quando precisa de ir à rua fazer algo já começa a pedir. Tem continuado a urinar em casa, mas desta vez é possível contextualizar a razão – nos últimos tempos já só anda a fazê-lo quando eu saio de casa para tratar dos outros cães; nestas situações, ou fica a ladrar ou vai urinar em alguns locais da casa. Mas isso também está a mudar… já lá vamos… (Já perceberam que estão a ocorrer muitas mudanças nos últimos dias? ;) )

Houve porém um pequeno revés, rapidamente resolvido. Ao fim de 2 semanas, precisei de sair durante um fim-de-semana. Ficou cá em casa a rapariga que me costuma tratar dos cães, e que os restantes já conhecem bem – menos o Kikko. Apesar de não ter havido mais problemas que os que andavam a haver (ladrar, urinar), reparei que nos primeiros dias o Kikko regrediu um bocado, voltando a ladrar mais e com um tom mais ansioso, e urinando mais. Mas mais para o fim da semana já tinha volta ao normal, lá há-de ter percebido que eu afinal não ia desaparecer.

Em relação às estadias na caixa, há alguns progressos… Graças a dormir e comer nela todas as noites, e à utilização do Kong durante o dia, já vai para a caixa feliz e contente!... Mesmo quando não precisa mas pensa que pode ganhar algo em ir para lá! ;) No entanto, se o fecho na caica durante o dia, ao fim de pouco tempo, ou se pensa que eu vou sair, começa a ladrar muito. E aqui o Kong não está a ajudar; mesmo recheado de coisas que ele gosta bastante, brinca um pouco com ele mas quando se apercebe que me estou a preparar para sair começa a ladrar. Durante a noite não há esse problema, apenas quando se aproxima a hora normal de me levantar. Nessa altura, apesar de não ficar a ladrar em contínuo como de dia, fica a choramingar e a soltar alguns latidos até eu me levantar, arranjar e o soltar; por vezes chega mesmo a sujar a caixa.

Contra as minhas expectativas, consegui encontrar um halti à venda onde vivo. Antes de o começar a usar para prender a trela, para o começar a habituar a deixar de puxar, passei cerca de uma semana e meia a habituá-lo a usá-lo sem sinais de desconforto ou stress – muitas sessões de guloseimas dadas através do anel do halti, depois com o anel posto, depois começando a apertar o halti e soltá-lo, depois a usá-lo durante alguns minutos, depois durante vários minutos. Quando o senti à vontade com o halti posto, comecei a levá-lo com ele para o parque. De início ainda tentou lutar um pouco quando sentiu a resistência na cabeça quando puxava, mas com algumas recompensas rapidamente aprendeu até onde é que podia ir sem puxar a trela. Estou também a usar sempre a mesma trela com ele, pelo que se torna mais fácil aprender os limites do que com trelas de diferentes tamanhos ou com uma trela extensível.
Mesmo depois de o começar a levar à trela com o halti, continuei a pô-lo em casa em diferentes situações, para não criar uma associação estrita entre o halti e a rua. E isto trouxe-me alguns benefícios inesperados! E sim, agora vamos lá! ;)

Há uns dias, uma amiga no Facebook partilhou um link relativo à utilização de um face wrap, uma tira elástica que se coloca no focinho do cão para o desabituar de ladrar. Já tinha ouvido falar dos body wraps, bandas elásticas que se põem à volta do corpo do cão (há mesmo empresas que fazem tipo uma “camisola”), e que ajudarão a controlar medo e ansiedade nos cães, mas foi a primeira vez que ouvi falar em algo semelhante para a focinho. De início pareceu-me uma ideia tola, que o cão facilmente poderia tirar aquilo, ou se se calasse era por causa do stress de ter uma coisa à volta do focinho.
(Por outro lado, da primeira vez que ouvi falar de treino com clicker há mais de 10 anos também me pareceu um conceito desnecessário, e depois de aprender como se fazia e ver a diferença de atitude no meu próprio cão, tornei-me uma fã convicta! Por isso não digo desta água não beberei…)
Bem… li o texto do link, registei mentalmente mas não voltei a pensar nele. Ou melhor, não teria voltado a pensar se não me tivesse sucedido uma coisa que possivelmente nem me teria apercebido se não tivesse lido esse artigo! Como disse acima, andava há vários dias a habituar o Kikko ao halti, e já não me apercebi de sinais de stress com ele posto. Na altura andava a pôr-lhe o halti em casa durante algum tempo de cada vez. E calhou durante esses períodos começar a sair de casa para ir trocar os cães que andavam à solta no parque. E pela primeira vez, pude sair de casa e o cão não ficou a ladrar! Nem urinou! Nem me saltou para as pernas quando voltei a entrar em casa, apenas me veio cumprimentar calmamente. Hmmm… estranho, este não é o Kikko que conheço! Bem… coincidência, pensei… Mas essa situação e o artigo que tinha acabado de ler ficaram aqui a remoer no fundo da minha mente. Então, desde há uma semana, resolvi começar a pôr-lhe o halti cada vez que tinha de sair um pouco de casa (trocar cães, cuidar dos restantes, etc.). E efectivamente o cão deixou de ladrar, quando antes o fazia sistematicamente. E o urinar nestas situações também parou! Boa, um problema controlado! E quanto ao ladrar no parque quando começo a tirar cães e não o tiro a ele? Bem, vamos experimentar a ver se também resulta… Ponho-lhe o halti quando começo a tirar e vou arrumar outros cães e voilá, parou de ladrar nessa situação também. Mais um problema controlado!
Pensei… será que ele parou de ladrar por se sentir incomodado com o halti na cabeça? Não me parece – tenho reparado que, quer em casa quer na rua, mesmo com o halti posto ele ladra em situações “normais” (quando vê gente estranha, quando brinca com outros cães, quando disputa um brinquedo), é apenas o ladrar derivado da ansiedade que parou. Aliás, tanto que estou seriamente a considerar experimentar pôr-lhe o halti quando fica na caixa, a ver se também funciona nessa situação.
E ao fim de uma semana a usar o halti nesta função “secundária”, estou a constatar que mesmo quando não lho ponho, o ladrar quando estou a trocar cães do parque ou quando saio de casa por momentos diminuiu drasticamente; e apesar de nesta última situação o urinar ter voltado (bem, menos mal, prefiro lidar com uns quantos xi-xis que com o cão com os pulmões do Inferno!), noto o cão menos ansioso e excitado quando volto a entrar em casa.

Kikko, Alfinete e Pinhão
Portanto, em resumo, penso que esta semana foram feitos progressos notáveis! A habituação do Kikko ao ritmo de vida cá em casa, a amizade que tem com os outros cães, principalmente com o Pinhão e com o Alfinete e, sobretudo, as grandes alterações comportamentais que vi esta semana com a ajuda do halti indiciam uma excelente recuperação. Apesar de ter a noção que vai ser um caminho longo!
Neste momento, a minha principal questão tem a ver com a dúvida se o irá ocorrer um processo de habituação tal que auxílio que o halti tem dado na sua função “secundária” desapareça. No entanto, como noto já mudanças comportamentais mesmo quando o Kikko não o está a usar, espero que as melhorias se tornem mais permanentes.


(P.S. – O ar sério que ele tem na foto não é por estar a usar o halti, é memso porque ele não estava particularmente feliz de estar em cima de uma mesa, mas foi a única forma de lhe conseguir tirar uma foto sozinha)