sábado, 27 de novembro de 2010

Actualização sobre o Kikko (ou... pode um halti auxiliar em casos de problemas por separação?)

(English version above)


Este post é uma actualização ao que se tem passado com o Kikko desde que para cá veio. Podem ler o post inicial aqui



Bem… O Kikko já cá está há 4 semanas. Houve dias melhores, houve dias piores, mas os dias melhores estão a ser os mais frequentes. Sobretudo na última semana houve uma grande melhoria! Já lá vamos…

A adaptação aos meus restantes cães foi um espectáculo! Parece que nunca de cá saiu! Desde o primeiro dia que o solto juntamente com os irmãos, com a mãe, com os “primos”, “tios” e “avó” (ou seja com os restantes Drevers e Teckels) e nunca houve nenhuma reacção de agressividade de parte a parte, ninguém se manteve à parte, ninguém se tentou impor. Quanto aos Drevers, isso não me espantou, a experiência que tenho tido é que não são cães que se tentem impor. Em relação aos Teckels, surpreendeu-me um pouco, mas suponho que a idade da cachorrada toda – 10 meses – ajuda a quem ninguém tenha ideias de se tentar impor ou de constituir uma “ameaça” aos mais velhos. Todos os meus cães estão também habituados a estar com cães de diferentes tamanhos e idades, o que também ajuda à tolerância.

Aliás, a nível de adaptação, o Kikko fez maravilhas ao Pinhão, um Teckel com 4 anos. Desde que o tenho há mais de 2 anos, ele sempre excessivamente muito retraído e pouco interactivo com os outros cães. No entanto, pela primeira vez vejo-o a brincar como se fosse um cachorro! Parece que encontrou a sua alma gémea no Kikko! :)
No entanto, a vinda do Kikko teve uma desvantagem para o Pinhão. Ele é um cão extremamente sensível, é o tipo de cão que se sente um pouco mais de stress da parte das pessoas, deita-se no chão, evita encarar-me e não se consegue fazer nada dele; é preciso muito encorajamento e alguma paciência para que ele recupere a confiança suficiente para ele voltar ao que estava a fazer ou vir ter comigo. Ora, estes dias têm sido bastante stressantes para mim, pois se eu já sou stressada por natureza, com os problemas do Kikko ainda tenho andado mais, sobretudo com o ladrar quase constante e persistente. Demorei um pouco a aperceber-me desta situação, mas tenho feito um esforço ainda maior de auto-controlo. E os progressos que andam a ser feitos com o cachorro também estão a ajudar a andarmos todos mais relaxados!

Ao fim de pouco mais de uma semana, o Kikko acabou por se integrar no ritmo normal cá de casa. Ele sempre foi cão de apartamento e a ida à rua era à trela (e, até muito recentemente, bastante controlado por causa dos problemas da pata). Aqui, os cães passam uma boa parte do dia à solta num parque, em diferentes grupos. De início ele não queria ficar mais do que alguns minutos de cada vez, depois começava a ladrar, ansioso, da mesma forma que quando me vê desaparecer, mas gradualmente começou a ficar descontraído no parque cada vez mais tempo, e agora não ladra para sair durante todo o tempo que lá está, apenas quando começo a tirar os cães para os trocar e não o tiro logo a ele, apesar de a ordem das trocas ser a mesma todos os dias – afinal, quer os cães quer eu própria gostamos das nossas rotinas fixas! Mas isso está a mudar… já lá chegamos…

Entretanto, à medida que o Kikko se foi adaptando às rotinas, e a um horário de alimentação fixo (antes tinha a comida à disposição) a higiene em casa começou a melhorar bastante. Nas últimas duas semanas, aproximadamente, deixou de haver acidentes em casa. E quando precisa de ir à rua fazer algo já começa a pedir. Tem continuado a urinar em casa, mas desta vez é possível contextualizar a razão – nos últimos tempos já só anda a fazê-lo quando eu saio de casa para tratar dos outros cães; nestas situações, ou fica a ladrar ou vai urinar em alguns locais da casa. Mas isso também está a mudar… já lá vamos… (Já perceberam que estão a ocorrer muitas mudanças nos últimos dias? ;) )

Houve porém um pequeno revés, rapidamente resolvido. Ao fim de 2 semanas, precisei de sair durante um fim-de-semana. Ficou cá em casa a rapariga que me costuma tratar dos cães, e que os restantes já conhecem bem – menos o Kikko. Apesar de não ter havido mais problemas que os que andavam a haver (ladrar, urinar), reparei que nos primeiros dias o Kikko regrediu um bocado, voltando a ladrar mais e com um tom mais ansioso, e urinando mais. Mas mais para o fim da semana já tinha volta ao normal, lá há-de ter percebido que eu afinal não ia desaparecer.

Em relação às estadias na caixa, há alguns progressos… Graças a dormir e comer nela todas as noites, e à utilização do Kong durante o dia, já vai para a caixa feliz e contente!... Mesmo quando não precisa mas pensa que pode ganhar algo em ir para lá! ;) No entanto, se o fecho na caica durante o dia, ao fim de pouco tempo, ou se pensa que eu vou sair, começa a ladrar muito. E aqui o Kong não está a ajudar; mesmo recheado de coisas que ele gosta bastante, brinca um pouco com ele mas quando se apercebe que me estou a preparar para sair começa a ladrar. Durante a noite não há esse problema, apenas quando se aproxima a hora normal de me levantar. Nessa altura, apesar de não ficar a ladrar em contínuo como de dia, fica a choramingar e a soltar alguns latidos até eu me levantar, arranjar e o soltar; por vezes chega mesmo a sujar a caixa.

Contra as minhas expectativas, consegui encontrar um halti à venda onde vivo. Antes de o começar a usar para prender a trela, para o começar a habituar a deixar de puxar, passei cerca de uma semana e meia a habituá-lo a usá-lo sem sinais de desconforto ou stress – muitas sessões de guloseimas dadas através do anel do halti, depois com o anel posto, depois começando a apertar o halti e soltá-lo, depois a usá-lo durante alguns minutos, depois durante vários minutos. Quando o senti à vontade com o halti posto, comecei a levá-lo com ele para o parque. De início ainda tentou lutar um pouco quando sentiu a resistência na cabeça quando puxava, mas com algumas recompensas rapidamente aprendeu até onde é que podia ir sem puxar a trela. Estou também a usar sempre a mesma trela com ele, pelo que se torna mais fácil aprender os limites do que com trelas de diferentes tamanhos ou com uma trela extensível.
Mesmo depois de o começar a levar à trela com o halti, continuei a pô-lo em casa em diferentes situações, para não criar uma associação estrita entre o halti e a rua. E isto trouxe-me alguns benefícios inesperados! E sim, agora vamos lá! ;)

Há uns dias, uma amiga no Facebook partilhou um link relativo à utilização de um face wrap, uma tira elástica que se coloca no focinho do cão para o desabituar de ladrar. Já tinha ouvido falar dos body wraps, bandas elásticas que se põem à volta do corpo do cão (há mesmo empresas que fazem tipo uma “camisola”), e que ajudarão a controlar medo e ansiedade nos cães, mas foi a primeira vez que ouvi falar em algo semelhante para a focinho. De início pareceu-me uma ideia tola, que o cão facilmente poderia tirar aquilo, ou se se calasse era por causa do stress de ter uma coisa à volta do focinho.
(Por outro lado, da primeira vez que ouvi falar de treino com clicker há mais de 10 anos também me pareceu um conceito desnecessário, e depois de aprender como se fazia e ver a diferença de atitude no meu próprio cão, tornei-me uma fã convicta! Por isso não digo desta água não beberei…)
Bem… li o texto do link, registei mentalmente mas não voltei a pensar nele. Ou melhor, não teria voltado a pensar se não me tivesse sucedido uma coisa que possivelmente nem me teria apercebido se não tivesse lido esse artigo! Como disse acima, andava há vários dias a habituar o Kikko ao halti, e já não me apercebi de sinais de stress com ele posto. Na altura andava a pôr-lhe o halti em casa durante algum tempo de cada vez. E calhou durante esses períodos começar a sair de casa para ir trocar os cães que andavam à solta no parque. E pela primeira vez, pude sair de casa e o cão não ficou a ladrar! Nem urinou! Nem me saltou para as pernas quando voltei a entrar em casa, apenas me veio cumprimentar calmamente. Hmmm… estranho, este não é o Kikko que conheço! Bem… coincidência, pensei… Mas essa situação e o artigo que tinha acabado de ler ficaram aqui a remoer no fundo da minha mente. Então, desde há uma semana, resolvi começar a pôr-lhe o halti cada vez que tinha de sair um pouco de casa (trocar cães, cuidar dos restantes, etc.). E efectivamente o cão deixou de ladrar, quando antes o fazia sistematicamente. E o urinar nestas situações também parou! Boa, um problema controlado! E quanto ao ladrar no parque quando começo a tirar cães e não o tiro a ele? Bem, vamos experimentar a ver se também resulta… Ponho-lhe o halti quando começo a tirar e vou arrumar outros cães e voilá, parou de ladrar nessa situação também. Mais um problema controlado!
Pensei… será que ele parou de ladrar por se sentir incomodado com o halti na cabeça? Não me parece – tenho reparado que, quer em casa quer na rua, mesmo com o halti posto ele ladra em situações “normais” (quando vê gente estranha, quando brinca com outros cães, quando disputa um brinquedo), é apenas o ladrar derivado da ansiedade que parou. Aliás, tanto que estou seriamente a considerar experimentar pôr-lhe o halti quando fica na caixa, a ver se também funciona nessa situação.
E ao fim de uma semana a usar o halti nesta função “secundária”, estou a constatar que mesmo quando não lho ponho, o ladrar quando estou a trocar cães do parque ou quando saio de casa por momentos diminuiu drasticamente; e apesar de nesta última situação o urinar ter voltado (bem, menos mal, prefiro lidar com uns quantos xi-xis que com o cão com os pulmões do Inferno!), noto o cão menos ansioso e excitado quando volto a entrar em casa.

Kikko, Alfinete e Pinhão
Portanto, em resumo, penso que esta semana foram feitos progressos notáveis! A habituação do Kikko ao ritmo de vida cá em casa, a amizade que tem com os outros cães, principalmente com o Pinhão e com o Alfinete e, sobretudo, as grandes alterações comportamentais que vi esta semana com a ajuda do halti indiciam uma excelente recuperação. Apesar de ter a noção que vai ser um caminho longo!
Neste momento, a minha principal questão tem a ver com a dúvida se o irá ocorrer um processo de habituação tal que auxílio que o halti tem dado na sua função “secundária” desapareça. No entanto, como noto já mudanças comportamentais mesmo quando o Kikko não o está a usar, espero que as melhorias se tornem mais permanentes.


(P.S. – O ar sério que ele tem na foto não é por estar a usar o halti, é memso porque ele não estava particularmente feliz de estar em cima de uma mesa, mas foi a única forma de lhe conseguir tirar uma foto sozinha)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

1ª Jornada do Fórum "Selecção de reprodutores - A luta diária de um criador"

A 1ª Jornada do Fórum “Selecção de reprodutores – a luta diária de um criador”, subordinada ao tema “Escolha e preparação dos reprodutores. Tipos de selecção. Fenótipo e Genótipo”, decorrerá no dia 4 de Dezembro de 2010, na Sede do Clube Português de Canicultura, sita à Rua Frei Carlos, nº 7, 1600-095, Lisboa.
A data limite de inscrição é o dia 25 de Novembro (há limite de inscrições).
Mais informações no site do Clube Português de Canicultura, onde está disponível o programa e a ficha de inscrição.

domingo, 7 de novembro de 2010

Kikko





Kikko (A Special One de Aradik), 9 month-old Drever puppy, has come back home for a while. He has been having some problems my mom can’t handle at the moment, for several professional and personal reasons.
Kikko’s infancy was different from that of a normal puppy, to say the least, which has contributed to some of his problems. He had osteomyelitis, which lead to one of his arm’s radius and ulna break in several pieces. So, he spent several months with his arm on a splinter, waiting to grow up enough to undergo surgery. After that, he spent some weeks with the pins in the arm and then again with the splinter. So, he spent several months with very controlled and restricted movement, with short walks on a short leash. This is something very complicated on a naturally very active puppy, and unavoidably lead to him having a high stress level. Truth be said, Kikko has been the living example of how dogs have no notion of their limitations and has always been an overwhelmingly happy dog with everything and everyone. However, all his restrictions growing up built up frustrations, and those subtle stress signs (as, for example, the lips too pulled back) were always present. And stress led to even more activity (which is something a Drever puppy usually does not lack!)
Kikko also has separation problems. Not the type leading to home destruction (fortunately), but the type where he barks continuously when there are no people around – and a Drever has a nice set of lungs! Something that probably did not help were the frequent visits to the vet – as my mom’s and the orthopedic surgeon’s work schedules were normally incompatible, he would often spend a good part of the day at the vet’s – barking continuously. This did not make him afraid of the vet office, quite on the contrary, he still happily goes there, but certainly added to his anxiety.
And as only recently I managed to convince my mother to use a crate, to help solve Kikko’s lack of hygiene at home, especially when no one is there for a few hours, he is still in the middle of this learning.

So, at the moment, there are several issues to deal with:
- excessive barking when no people are around (even if his favorite canine playmates are around);
- excessive pulling on the leash, due to excitement (and a Drever has a strength inversely proportional to his size!);
- lack of crate manners (despite him staying quietly at night);
- the somewhat frequent “accidents” at home (which I think are a combination of lack of hygiene and stress-related).

So, what am I doing?
Kikko has only been here for 6 days, but there are already some progresses.
A good part of his frustration was due to his restricted movement during growth. At the moment, his leg treatments are over, so he can finally start having a normal life. Here I can have the dogs loose in the yard a few hours a day, so the increase of free exercise is starting to show some results. Even his bark no longer has that tone of anguish. When he barks for a long time because no person is around, it’s no longer the rapidly succeeding barks, but rather a “normal and frequent” bark (hmm… how to describe it without sound?), intermingled with some (short) breaks.
I got a Kong, a rubber hollow toy, which can be filled inside with food and/or treats; dogs usually love it and can spend a long time (hours even) with it, trying to reach all of the inside. As it was an instant success, I’m using it to get Kikko to willing go and stay in his crate. I’ve started already to close the crate’s door for a few minutes at a time. The plan is to gradually increase the time he can stay in the crate without barking, so I can leave home and leave him quiet and safe, like the rest of the dogs.
I’m also working on his “crate manners”, by only getting out when I tell him to, so he learns to control the anxiety – something he is learning so well a few minutes ago I opened his door and wondered why he was not getting out, only after did I realize he was waiting to be released! ;)
As for the separation anxiety, I’ve been ignoring his barks when I leave the house or the floor and ignoring him when I get home and he jumps over me. I only give him attention when he calms down. As my house has a balcony than runs along half of it and can be accessed by different rooms, as well as a garage at the ground floor, with an internal access to the upper floor. So I am leaving and entering the house from different rooms, so the front door isn’t exclusively associated with me going away. I’ve also putting my coat on and off without necessarily leaving, so as to try to break the associations the dog may have made regarding the different “rituals” people have when they’re preparing to leave home. This will be the most difficult issue to deal with.
Also, moments of petting and cuddling are reserved to when the dog is calm, and interrupted when he gets too excited. The idea is to start creating habits of self-control, decreasing over-excitement.
The next steps will be to get a head halter, which unfortunately I can’t find where I live, so I can start working better on his pulling on the leash. I also plan to star teaching him basic obedience, so I can replace unwanted behaviors (like jumping up on people) by other, incompatible, ones (like sitting down). At the same time, as these are static positions, they may help decrease the excitement level.
As for his hygiene problems, I think they will work themselves out, as Kikko adjusts to our rhythm, to being out loose for quite some time and as the general stress level decreases.
Finally, another thing I’ve been trying to do is… work on my patience! ;)

I have the advantage of working mainly from home, which allows me to be more available to small details I can work with Kikko. Also, at this time of the year, temperatures are a lower, so when I leave home I can take him with me in the car instead of leaving him barking at home (in the car he stays quietly in his crate), at least until I can trust him there. However, I also have the disadvantage of having jobs that require too many hours and having several dogs, so I cannot pay the attention I would like to some details. But we’ll get there with time…

Kikko has only been here for 6 days. I can already see some improvements, such as an overall decrease in anxiety, but some days go better than others. And he is still adjusting to a new environment, which he only knew from the occasional weekend spent here. Only in the next days/weeks will he start feeling at home and showing his true “colors”. Anyway, this will be a lengthy path, but I think as his trust level (on others and himself) increases, and with some guidance, he will end up a well adjusted dog.
If anyone has any ideas or suggestions to ease this process, I’d love to hear them!

Kikko




O Kikko (A Special One de Aradik), cachorro Drever de 9 meses, vem passar uma temporada de volta a casa. Ele está com alguns problemas com que a minha mãe neste momento não está a conseguir lidar, por várias razões profissionais e pessoais.
A infância do Kikko foi, no mínimo, diferente da de um cachorro normal, o que em muito terá contribuído para alguns dos seus problemas. Devido a uma osteomielite, que levou a que o rádio e o cúbito de um dos braços se partissem em vários pedaços, passou vários meses com a pata numa tala, enquanto se esperava que crescesse o suficiente para poder ser operado; depois da operação foram ainda algumas semanas com os ferros na pata e depois mais umas semanas novamente com tala. Ou seja, foram vários meses de movimento muito controlado e restrito, com passeios de trela curta a limitá-lo, algo extremamente complicado num cachorro já de sim muito activo e que inevitavelmente acabou por lhe criar um elevado nível de stress. Verdade seja dita, o Kikko tem sido o exemplo vivo de como os cães não se apercebem das suas limitações, e sempre foi um cão extremamente alegre com tudo e com todos. Porém, todas as condicionantes que teve durante o seu crescimento inevitavelmente acabaram por o levar a alguma frustração, e aqueles subtis sinais de stress (como por exemplo os lábios ligeiramente repuxados demais), estavam sempre presentes. E o stress manifestou-se em ainda mais actividade (coisa que já normalmente não falta num bebé Drever!)
Adicionalmente, o Kikko tem também problemas por separação. Não do estilo de destruir a casa (felizmente), mas de ficar a ladrar continuamente quando não há pessoas presentes – e um Drever tem uns valentes pulmões! A isto também não devem ter ajudado as frequentes visitas ao veterinário – como o horário de trabalho da minha mãe e o do ortopedista que o acompanhou eram frequentemente incompatíveis, muitas vezes o cão passava uma boa parte do dia no veterinário – a ladrar continuamente. Isto não o fez ter medo de consultórios; antes pelo contrário, continua a ir para lá alegremente, mas há-de ter contribuído para a ansiedade dele.
E como apenas recentemente tinha conseguido convencer a minha mãe a usar uma transportadora, para ajudar a resolver o problema da falta de higiene do Kikko em casa, sobretudo quando não está ninguém em casa durante algumas horas, o cão ainda está a meio desta aprendizagem.

Portanto, neste momento, há vários problemas a lidar:
- o ladrar excessivo quando está sem pessoas por perto (mesmo que tenha outros cães com ele, com quem normalmente adora brincar);
- o puxar excessivamente na trela, devido à excitação (e um Drever tem uma força inversamente proporcional ao seu tamanho!);
- os “descuidos” algo frequentes em casa (que penso que sejam uma combinação de falta de higiene e de manifestação de stress);
- o não gostar de estar na caixa (apesar de já saber ficar lá sossegado de noite).

E o que estou a fazer?
O Kikko ainda só cá está há 6 dias, mas já começam a haver alguns progressos.
Uma boa parte da sua frustração derivava do movimento restrito a que teve de ser sujeito durante o crescimento. Nesta altura, os tratamentos à sua pata estão terminados, pelo que finalmente pode começar a ter uma vida relativamente normal. Aqui tenho a possibilidade de ter os cães à solta fora de casa algumas horas por dia, pelo que o aumento de exercício livre está a começar a mostrar alguns resultados. Mesmo no ladrar dele já não se nota aquela angústia que tinha; até quando ladra bastante tempo por não ter ninguém ao pé dele, já não são os latidos em rápida sucessão, mas apenas um ladrar “normal e frequente” (hmm… como descrever sem som?) e entrecortado por alguns (curtos) momentos de pausa.
Arranjei um Kong, um brinquedo de borracha oco no meio, que se enche de alguma comida gostosa, que os cães normalmente adoram e que permite que passem bastante tempo (horas mesmo) a entreter-se com ele, a tentar chegar a todo o interior. Como foi um sucesso instantâneo, estou com ele a habituar o cão a ir e ficar por sua vontade na transportadora. Já comecei a fechar-lhe a porta da transportadora, poucos minutos de cada vez, com o objectivo de ir gradualmente aumentando o tempo em que ele fica fechado sem ladrar, de forma a poder sair de casa e deixá-lo sossegado e em segurança, tal como faço com os outros cães.
Também ando a trabalhar as suas “maneiras” na transportadora, a só sair quando lhe digo, de forma a controlar a sua ansiedade - algo que está a aprender tão bem que há pouco quando lhe abri a porta fiquei a pensar porque é que ele não saia, só depois é que me apercebi que estava à espera que eu o autorizasse! ;)
Quanto à ansiedade por separação, ando a ignorar os latidos dele quando saio de casa ou do piso e a ignorá-lo quando chego a casa e ele salta para cima de mim. Apenas lhe dou atenção quando acalma. Como a minha casa tem uma varanda que corre ao longo de metade da casa, com acesso por várias divisões, bem como uma garagem no piso inferior com acesso interno à casa, estou a sair e entrar de casa por diferentes divisões, de forma a que a porta de entrada não seja associada exclusivamente com o eu sair de casa. Também estou a vestir e despir o casaco sem sair necessariamente à rua, de forma a tentar quebrar as associações que o cão tem em relação aos “rituais” que as pessoas têm quando se preparam para sair para a rua. Este será o problema mais complicado de lidar.
Além disso, os momentos de festas e mimos são reservados para quando o cão está calmo e interrompidos quando se começa a excitar demasiado. O objectivo é começar a criar-lhe hábitos de auto-controlo, diminuindo a sua sobre-excitação.
Os próximo passos serão adquirir um halti, que infelizmente não há à venda onde vivo. Este é um dispositivo que se coloca na cabeça e onde se prende a trela. Quando o cão puxa na trela, a cabeça muda de posição e o cão deixa de puxar. Isto será para começar a trabalhar no puxar demasiado na trela. Pretendo também começar a ensinar-lhe as ordens básicas de obediência, de forma a substituir os comportamentos indesejados (como o saltar para cima das pessoas) por outros incompatíveis (como sentar-se); ao mesmo tempo, por serem posições estáticas, poderão ajudar a diminuir o nível de excitação.
Quanto aos problemas de falta de higiene, penso que se irão resolver por si à medida que o Kikko se vai adaptando ao ritmo de casa, ao estar à solta durante bastante tempo e o nível geral de stress vai diminuindo.
Finalmente, outra coisa que ando a tentar fazer é… trabalhar a minha paciência! ;)

Tenho a vantagem de trabalhar principalmente a partir de casa, o que me permite estar mais disponível para os pequenos detalhes que posso ir trabalhando com o Kikko. Além disso, nesta época em que as temperaturas estão mais baixas, quando saio posso levá-lo de carro comigo em vez de o deixar em casa a ladrar (no carro vai bem para a transportadora e fica lá sossegado e sem fazer barulho), pelo menos até confiar nele em casa. Porém, tenho também a desvantagem de ter trabalhos que me requerem demasiadas horas e de ter vários cães, pelo que não posso dar uma atenção tão dedicada como gostaria a vários pormenores. Mas com tempo lá iremos…

O Kikko ainda só cá está há 6 dias. Já se começam a ver algumas melhorias, como a diminuição do nível geral de ansiedade, mas há dias que correm bem e dias que correm pior. E ainda está numa fase de adaptação a um novo ambiente, que ele só conhecia de vir passar um ou outro fim-de-semana de quando em quando. Apenas nos próximos dias/semanas irá começar a sentir-se verdadeiramente em casa e começar a mostrar as suas verdadeiras “cores”. Seja como for, este será um trabalho que irá demorar, mas penso que à medida que o seu nível de confiança (nos outros e em si-próprio) vai aumentado, e com alguma orientação, ele irá acabar por ser um cãozinho bem ajustado.
Se alguém tiver ideias ou sugestões para facilitar este processo, gostaria de as ouvir!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Entrevista com / Interview with Dr. Patricia McConnell


Breve entrevista de Steve Dale a Patricia McConnell, especialista em comportamento animal de reconhecimento internacional. Neste vídeo, ambos conversam sobre a dominância sobre os cães como método de treino e porque não é recomendada. Ou, nas palavras de Steve Dale, “a motivação funciona melhor que a intimidação”. (Vídeo em inglês)

Steve Dale conducts a short interview to Patricia McConnell, animal behavior expert of international merit. In this video, they both discuss dominance over dogs as a method of training, and why it is not recommended. Or, in Steve Dale’s words, “motivation works better than intimidation”.


Adolescence is here!

(versão portuguesa abaixo)


I lived for some years with an Estrela Mountain Dog breeder. This is a breed o f livestock guarding dogs, selected over time to act independently from people. This breeder’s dogs in particular were still quite close to working stock. At the time, I used to have a joke for our “clients” who bragged about their 4/5 month-old puppy being very obedient, sitting and lying down on cue, etc. I would tell them “if your dog still does that when he is 2 years of age, then I will be happy for you”! ;)
The “sad” reality is that even if a puppy is very dependent on people and will do anything to try to please them, sooner or later (depending on the breed type) the dog will reach its adolescence… A time in which, just like with human kids, the world seems to be turned upside down, the dog seems to have forgotten all that he learned and can basically turn into a “rebel”. The good news is that now all dogs go through this stage in such a profound way and… sooner or later they will come out of it! :)
The link bellow points to an excellent piece describing what goes through in doggy adolescence. It is well worth reading and remembering.

My puppy is going into adolescence; or what alien abducted my sweet dog and left this monster clone?